segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O Reino de Marrocos não tem legitimidade para reclamar soberania sobre Ceuta

  
 

No momento em que escrevo isto, creio que já não restam quaisquer dúvidas sobre a cumplicidade das autoridades marroquinas, na invasão de Ceuta por mais de 80,000 migrantes africanos. 

A verdade é que da parte das autoridades espanholas, não tem também havido uma reação à altura, nem diplomaticamente, nem em termos de defesa real das fronteiras. Os dados mais recentes, parecem indicar uma perda total de controlo da situação, a ponto de ninguém saber sequer exatamente quantos migrantes entraram em Ceuta, quantos ficaram e quantos é que já foram devidamente devolvidos à procedência. Mais uma vez, temos um governo de centro-esquerda no centro das atenções e mais uma vez (para variar...), a bandalhice está instalada... 

Já agora, é de notar que o argumento de alguns radicais de uma certa esquerda, de que «Marrocos tem o direito de tomar Ceuta, porque Ceuta foi roubada a Marrocos», é completamente inválido e resultada da ignorância mais crassa. Quando Ceuta foi conquistada em 1415 por nós portugueses, ainda não existia Marrocos. Ceuta fazia então parte do Império Merínida e a expansão portuguesa no Norte de África, teve objetivos comerciais e religiosos, sim, mas também defensivos, pois os berberes do Norte de África, regularmente levavam a cabo assaltos e ataques de pirataria contra a costa portuguesa, colocando em perigo as populações do litoral e toda a navegação. A rede de fortalezas e meios defensivos que se construíram ao longo da costa algarvia, tiveram até ao século XIX como uma das suas principais funções, combater e derrotar incursões de piratas vindos do Norte de África. Portanto, como se pode constatar, esta história das "invasões migrantes" já não é nova... Aquilo que é novo, isso sim, é a estupidez ignorante de alguns comentadores e ativistas que somam e seguem por aí, a falar do que não sabem nas redes sociais, nos jornais e nas televisões. 

Ademais, do ponto de vista puramente histórico, Ceuta fez parte de Cartago até ser conquistada pelos romanos e posteriormente pelos vândalos. Seguiu-se o domínio bizantino e só em 709 é que a cidade passa realmente para o domínio islâmico, quando é conquistada pelo Califado Omíada. Do acima exposto, creio que fica bem patente como o Reino de Marrocos tem zero legitimidade do ponto de vista histórico e do direito internacional, para reclamar soberania sobre Ceuta e exigir seja o que for do governo espanhol.  

Acrescento ainda que tomar Ceuta em 1415 e expandir no Norte de África, foi a forma que a Coroa Portuguesa encontrou para afastar os exércitos islâmicos da Península Ibérica e juntando o útil ao agradável, pelo caminho ir espalhando a Cruz de Cristo e fazendo comércio. Tal estratégia, em linhas gerais, manteve-se até ao debacle da Batalha de Alcácer-Quibir em 1578, altura em que aí sim, desistimos de vez do Norte de África (passou a ser uma causa perdida...) e passámos a concentrar os nossos esforços na América do Sul, na África Subsariana e no Extremo Oriente. Esta, em essência, foi a nossa forma de ser e estar no Mundo até ao fatídico dia 25 de Abril de 1974, quando para se derrubar um regime autoritário que estava desgastado e apodrecido, colocou-se também de forma totalmente irresponsável e criminosa, fim a um projeto coletivo com cinco séculos de existência, que unia povos espalhados por três continentes diferentes. Hoje, quando tanto se fala de "multiculturalismo", convinha que se tivesse em conta que fomos nós portugueses, que lançámos verdadeiramente a primeira vaga de Globalização no Mundo. 

Mas voltemos a 2026...

Portugal e Espanha, estão hoje confrontados com um claro acto de agressão da parte do Reino de Marrocos, que tem com toda a probabilidade a mão de Israel e dos EUA por detrás. Está na hora de a União Europeia suspender o estatuto de Marrocos como parceiro privilegiado da UE. De forma coordenada, Portugal e Espanha devem também de exigir um pedido de desculpas público ao Reino de Marrocos e o pagamento de todas as despesas associadas aos danos e gastos relacionados com a crise migratória. Se Marrocos recusar estas condições, então nesse caso Portugal e Espanha devem de retaliar renunciando à organização conjunta, com Marrocos, do Mundial de Futebol de 2030. 

No sistema internacional de relações, só é respeitado quem se dá ao respeito e tanto Portugal e Espanha, como a própria Europa, há muito que deixaram de se dar ao respeito... 

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