quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A Guiné Portuguesa não tinha de acabar assim

 

O que aconteceu com a antiga Guiné Portuguesa desde que esta se tornou "independente" em 1974, é um bom exemplo daquilo que acontece quando as coisas são feitas sem se pensar nas consequências a longo prazo. Em 1974 e após o golpe que fez brotar cravos dos canos das espingardas a 25 de Abril, o País enlouqueceu numa febre coletiva, que levou a que se cometessem erros crassos em termos de geoestratégia pura que estamos todos, brancos e pretos, a pagar até hoje:

«A questão de fundo é porém outra: a RGB não reune as condições minimas para constituir um país. Tem um território muito pequeno, pouca população, mal instruida, mal nutrida e sem emprego; um clima estuporado; sem riquezas naturais, pobre em recursos agrícolas, pecuários e piscícolas e sem grandes atributos turisticos.

Pior, é uma amalgama de tribos em estado atrasado de civilização – e que muito regrediram após a saida da nação portuguesa.

Não possui unidade cultural, nem étnica, nem linguística, nem religiosa, nada...

É apenas um aglomerado de gente cada vez mais desrensaizada onde se misturam e conflituam quatro coisas: laços de família, negócios e afinidades religiosas e, ou, étnicas.

Em súmula, é um mosaico sem consistência. O único cimento que mantinha esta população unida e lhe dava alguma coesão e coerência era a língua e a administração portuguesas e a ideia de fazerem parte de uma Pátria lusíada. Não vale a pena escamotear mais a realidade.

O projecto do PAIGC, o partido para a independência da Guiné e Cabo Verde – isto é a aliança entre Cabo Verde e a Guiné – não passava de um simulacro de utopia que escondia uma habilidade política, que se desfez mal o poder em Lisboa colapsou.

O desastre da “descolonização” e os desatinos marxisto-africanos que se seguiram deixaram o que restava de 500 anos de presença portuguesa de pantanas. E geraram ódios que estas últimas mortes podem não ser o epílogo.

Só sobreviverão se houver ordem no território, a corrupção for controlada, e uma liderança forte que naturalmente terá que ser ajudada do exterior até se formarem um conjunto de quadros capazes e em número suficiente. A alternativa é o caos e serem uma placa giratória dos trusts da droga.»

As consequências do golpe militar dado a 25 de Abril de 1974, lesaram gravemente o interesse nacional e colocaram seriamente em causa a independência e a soberania de Portugal. Isto é um facto. Ao nível da geopolítica só precisamos de atentar na forma como em resultado da dita "descolonização", Portugal perdeu não só praticamente toda a sua capacidade de projeção de poder no quadro do concerto das nações, como também perdeu todo o seu espaço de manobra estratégico e a profundidade defensiva que tinha em termos militares. Este foi o resultado direto da irresponsabilidade dos militares que levaram a cabo o 25 de Abril, sem terem devidamente preparado e planeado o "dia seguinte" ao golpe, o que levou a que o poder caísse na rua e nas mãos da extrema-esquerda, com as consequências que hoje são bem conhecidas. 

Confundiu-se e misturou-se aquilo que nunca devia de se misturar, ou seja, o regime do Estado Novo com o Império Português e isto foi logo um dos primeiros erros cometidos pelos revolucionários de Abril e toda a oposição ao regime de Salazar e Marcelo Caetano. A "descolonização" e a forma como tudo se processou nos idos de 74-75, acabou por se consumar como a maior vergonha e desonra, que alguma vez acossou as Forças Armadas de Portugal e toda a Nação Portuguesa em mais de 800 anos de história.  

O governo de Marcelo Caetano, mais visionário do que o de Salazar em certos aspetos, já tinha conferido oficialmente o estatuto de Estado à Guiné Portuguesa em 1972. Tudo estava a encaminhar-se, pouco a pouco, para a transformação do Império numa grande Federação ou Confederação Portuguesa. Quem queria mudar o regime em 1974, só tinha de continuar este trabalho e fazer os melhoramentos necessários. Em lugar disso, deixaram-se levar pelas cantigas das utopias dos "amanhãs a cantar" da esquerda delirante, com os resultados que hoje estão bem à vista de todos. A República da Guiné-Bissau é hoje um Estado falhado em toda a linha, sendo que até já foi considerada como sendo «o primeiro narco-Estado de África». No resto da África Portuguesa é o que se pode ver com pobreza extrema e corrupção por todo o lado. 

Os maiores vencedores com o 25 de Abril de 1974 foram a URSS, os EUA, a China e as novas elites que tomaram o poder tanto em Portugal, como em África, após a tão badalada «descolonização exemplar». Toda a guerrilha que operava em África era diretamente apoiada com armamento, munições, dinheiro, campos de treino, propaganda e ação diplomática a nível internacional, pelas grandes potências que disputavam a Guerra Fria. Isto está amplamente documentado e provado. Nada disto era inocente ou tinha como objetivo "libertar" fosse quem fosse, mas sim, desfazer o Império Português e parti-lo em pedaços, que ficariam depois na condição de Estados satélites da URSS, dos EUA ou da China. 

Consumada a destruição total do Império, fez-se depois aquilo que praticamente todos os vencedores fazem quando tomam o poder, ou seja, passaram a reescrever a história distorcendo factos e papagueando mentiras, sancionaram quem os contraria e quando podem, perseguem quem os expõe ao ridículo. Vamos ainda levar muito tempo até conseguir repor a verdade histórica em Portugal.

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