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domingo, 4 de outubro de 2026

A Rússia está a preparar-se para erradicar a NATO do mapa em caso de guerra

 
 

Passou largamente ignorado pelos media do "sistema" no Ocidente, mas nos últimos dias teve lugar o exercício estratégico de comando e Estado-Maior Centro-2026, o maior do ciclo anual de exercícios militares realizados pelas Forças Armadas da Federação Russa. Em sincronia, foi realizado também o exercício Interaction-2026, da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), a aliança militar da Euroásia, que é liderada pela Rússia. Marco Coutinho do blogue GRU! Geopolítica em Ação, descreve bastante bem aquilo que estes exercícios implicaram em termos reais: 

«Dados conhecidos do exercício

- Mais de 47 mil militares mobilizados

- 11 áreas de treinamento no Distrito Militar Central, além de operações no Mar Cáspio.

- Mais de 6 mil militares na fase ativa, no campo de Chebarkul, nos Urais

- 7 países contribuíram com contingentes: Rússia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, China, Mongólia e Paquistão

- Observadores de 51 países acompanharam as manobras

Objetivos declarados

Segundo o Kremlin, o exercício visou aprimorar a capacidade dos comandantes em todos os níveis para repelir agressão externa e responder a conflitos fronteiriços. As missões foram executadas com base na experiência acumulada na "operação militar especial" na Ucrânia, com emprego de novos equipamentos e armamento. Forças do Distrito Militar Central, Forças Aeroespaciais, Tropas Aerotransportadas e a Flotilha do Cáspio participaram dos treinamentos.

Sinalização estratégica

O presidente Vladimir Putin acompanhou a fase ativa em Chebarkul, no dia 2 de outubro. A presença de contingentes chineses, paquistaneses e da OTSC, somada ao convite estendido aos países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), reforça a mensagem de Moscou de consolidação de um eixo de segurança eurasiano. O exercício também projeta capacidade de resposta coordenada em um cenário de tensão elevada com a Otan, em meio ao contexto da guerra na Ucrânia e das disputas na região do Báltico.

Leitura analítica

O Centro-2026 combina três mensagens: dissuasão convencional, integração militar com parceiros eurasiáticos e demonstração de que a Rússia mantém capacidade de conduzir operações em larga escala mesmo com o desgaste do esforço de guerra. A sincronia com a OTSC e a participação chinesa indicam que Moscou busca institucionalizar um arranjo de defesa coletiva alternativo às estruturas ocidentais.»

Que consequências tem isto para a NATO? Tem inúmeras... e não foi ao acaso que estes exercícios militares foram largamente censurados pela imprensa ocidental. É que aquilo que os russos demonstraram nos mesmos, não foram apenas novas tecnologias militares, que estão muito à frente de tudo aquilo que a NATO possui actualmente, mas também um poder de fogo avassalador, para o qual a NATO não tem resposta, nem vai ter durante pelo menos os próximos vinte anos, no mínimo, devido aos motivos que eu já expliquei aqui:

https://joaojhnobre.blogspot.com/2026/08/quem-quer-lutar-contra-russia.html

Há muitos europeus que estão mortinhos por uma guerra contra a Rússia e eu como português, tenho de dizer que me incomoda profundamente o facto de a Rússia já ter singularizado Portugal por diversas vezes, destacando o nosso País como sendo «um dos mais hostis da Europa». Isto é o resultado de anos a fio de lavagem cerebral, da parte dos media do "sistema" em Portugal e da parte da propaganda da maioria dos partidos políticos, tanto à direita, como à esquerda, que não cessam de injectar na população portuguesa ódio irracional contra a Rússia, sem explicarem às pessoas quais são, em concreto, os motivos históricos, geopolíticos e geoestratégicos, que na realidade estiveram por detrás de todo o conflito que vemos hoje na Ucrânia. 

Se amanhã ou depois, rebentar uma guerra entre a Rússia e a NATO e algum submarino russo, a passar aqui ao largo de Portugal, decidir erradicar as cidades de Lisboa e Porto do mapa com duas ogivas nucleares, depois não se queixem... os portugueses, mal governados e pessimamente aconselhados, andam mesmo a meter-se a jeito para levar "nas trombas" como nunca levaram...

E caso ainda não tenham percebido a "caldeirada" em que podemos estar potencialmente metidos e para a qual fomos arrastados, pela classe política absolutamente execrável que temos em Portugal, deixo-vos aqui com aquilo que disse o Larch445 no blogue Reminiscence of the Future, a propósito das novas capacidades que a Federação Russa está a exibir:

«The video of the Center 2026 Exercises is scarry wild. Killer munitions from every 360 degree angle.

We can assume the Europeans will last fifteen to twnety minutes in such an environment before the French-made White Flags are waved.

However, given the desire for Europeans to push into Kaliningrad or Belarus or across the Baltic or Finnish border, at about the ten minute mark in this folly from Brussels, several capitals of the former NATO/EU will cease to function as governance nodes.

What Stalin didn't completely finish, Gerasimov will certain do.

Denazification is but a ten minute missile ride, available 24/7. Just press STUPID WAY TO DIE on your remote control, Mr. Rutte and the gang of retards.

27 million ghosts of Russia have a surprise for you.

Russia is not my enemy.
Our enemy is the Epstein Class.»

Creio que fica bem claro que a Rússia está seriamente a preparar-se, para erradicar a NATO do mapa em caso de guerra e conseguir, em última análise, sobreviver a uma guerra nuclear. Não sei o que estará a passar na cabeça de gente como António Costa ou Ursula von der Leyen, mas sei e tenho a certeza, de que se as coisas realmente chegaram "a vias de facto" nos próximos meses ou anos, como cada vez parece ser mais provável, há um risco elevado de António Costa e toda a eurocracia corrupta em Bruxelas, ser pura e simplesmente vaporizada ou reduzida a cinzas. Como reza um certo provérbio popular: "quem semeia ventos, colhe tempestades..."

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Os alemães e a UE andam a "brincar com o fogo"...


Os alemães, ao que se constata, parece que querem colocar-se "a jeito" e já se esqueceram daquilo que lhes aconteceu, da última vez que quiseram lutar contra o Império Russo. João Gomes explica:

«[...]

A geografia tem uma memória que os políticos frequentemente esquecem. A Ucrânia voltou a ser o espaço onde se quiseram encontrar duas concepções antagónicas da segurança europeia: de um lado, a Rússia que considera a expansão das estruturas ocidentais para junto das suas fronteiras uma ameaça e que tem “cores nazistas”; do outro, uma Ucrânia corrupta q.b. que fez da aproximação à Europa e ao espaço euro-atlântico uma das bases da sua política externa e da sua identidade nacional interessada em criar condições que lhe permitam combater a Rússia. Do meu ponto de vista – e recordando a história mais recente do Euromaidan – é como se as forças nazis internas ucranianas assumissem o papel da Alemanha nazi de 1939.

Atrás está uma Alemanha que, depois de décadas de controle militar, voltou a assumir uma posição central numa “ajuda” que tem laivos do passado.

[...]

Durante décadas, a Alemanha procurou a Rússia através do comércio. A Ostpolitik e a interdependência económica assentavam na ideia de que seria possível construir estabilidade através das relações económicas. Hoje, essa lógica praticamente desapareceu. A Rússia deixou de ser, para Berlim, sobretudo um parceiro económico difícil e passou a ser apresentada como uma ameaça à “segurança europeia”. E a Ucrânia deixou de ser apenas um vizinho oriental da União Europeia para se transformar num “parceiro estratégico” da Alemanha. O seu proxy disfarçado!

Em Agosto de 2026, esta realidade é particularmente evidente: a Alemanha continua a ocupar uma posição central no apoio europeu à Ucrânia, enquanto Berlim assume uma linha cada vez mais dura perante Moscovo. Então a pergunta deixa de ser: “É a Alemanha de hoje igual à Alemanha de 1939?”. A pergunta verdadeiramente interessante é outra: “Onde encontramos hoje a repetição de determinados movimentos geopolíticos que antecederam a grande confrontação europeia do século XX?”

A resposta está no Leste. Em 1939, a Alemanha dirigiu o seu poder para Leste. Em 1941, tentou destruir a União Soviética. Em 2026, a Alemanha não envia exércitos para conquistar território russo. Mas participa ativamente no armamento e no financiamento no seu proxy que combate a Rússia.

Há uma diferença mas a pergunta histórica permanece. Porque, quando uma potência central europeia volta a considerar indispensável o rearmamento, quando a Rússia volta a ser apresentada como o principal adversário estratégico, quando a Ucrânia se transforma na linha avançada da confrontação e quando a indústria militar volta a ganhar uma dimensão que a Europa julgava ter deixado para trás, deve-se perguntar se estamos apenas perante uma nova guerra ou perante o renascimento de uma velha lógica europeia.

Uma lógica que diz: A segurança da Europa constrói-se contra a Rússia.

[...]

É como se a Alemanha tivesse passado de uma política de aproximação à Rússia para uma política de contenção da Rússia. E isso não é uma pequena mudança. É uma ruptura histórica.»

A Federação Russa não vai "invadir a Europa", nem precisa de invadir a Europa, para colocar fim à ameaça crescente que a UE/NATO representa para a sua segurança. A Rússia, só precisa de neutralizar/aniquilar as capacidades da indústria militar europeia e da estrutura política e militar, em termos de comando e controlo. Isto significa, que se o poder no Kremlin decidir que chegou a hora de realmente avançar com medidas "técnico-militares" contra algum ou alguns Estados-membros da UE e da NATO, aquilo a que provavelmente iremos assistir, será ao bombardeamento muito violento de bases militares, centros industriais e alvos políticos na Europa, através de uma combinação de drones de vários tipos, mísseis hipersónicos, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos. 

Na Alemanha, a título de exemplo, os russos só precisam de bombardear as fábricas da Rheinmetall, Airbus, Hensoldt, Diehl, Krauss-Maffei Wegmann (KMW), Quantum Systems, Volkswagen, Mercedes e BMW, para colocar um fim à ameaça germânica e ver do novo os alemães de joelhos a pedir clemência. Ataques seletivos para decapitar as capacidades de comando e controlo alemãs, também seriam conduzidos com alta probabilidade. Isto significa o assassinato de generais, oficiais e qualquer político alemão que conduza ou ajude a conduzir o esforço de guerra contra Moscovo. Creio que duas semanas de bombardeamento sistemático e pesado contra a Alemanha, bastariam para quebrar a capacidade industrial alemã e afundar a economia de forma drástica. Esta é a guerra real. É nisto que irá consistir, na prática, um eventual confronto bélico contra a Rússia. A Rússia pode fazê-lo e a hipótese de que o vá fazer, realisticamente, está a aumentar a cada dia que passa, uma vez que a NATO dá sinais de não querer parar ou recuar na Europa de Leste, que é, em termos de geopolítica, a zona de influência estratégica da Rússia. 

Moscovo tem hoje capacidade militar que chega e sobra, para derrotar a NATO na Europa. Os EUA são militarmente incompetentes e já demonstraram isso, na guerra que levaram a cabo contra o Irão e que perderam de forma humilhante. As armas nucleares também não são uma opção, sendo que, a elite e o Deep State dos EUA, sabem perfeitamente bem que isso seria o fim de tudo. Seria o fim não só dos EUA, mas de todo o Ocidente colectivo e das elites em conjunto. 

Os alemães (e a UE em geral...) andam a "brincar com o fogo". Alguém devia de lhes relembrar, como é que acabou a última aventura contra a Rússia, para ver se ganham juízo:

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Quem quer lutar contra a Rússia?...

 

No início de 2015, no Donbass e cerca de um ano após o início da Guerra Russo-Ucraniana que decorre até hoje, deram-se violentos combates entre as forças do Exército da Ucrânia e o famoso Batalhão Somália, da então recém-formada República Popular de Donetsk. Podem ver aqui, o que aconteceu aos militares ucranianos, que sobreviveram ao confronto com as forças do Batalhão Somália, liderado pelo Coronel Mikhail Tolstykh ("Givi" para os amigos...). 

Numa altura em que ainda se registam tantas vozes na UE e dentro da NATO, a favor de continuar a apoiar a Ucrânia militarmente, convinha que vissem todos o video cujo link partilhei acima e posteriormente, que pensassem longa e profundamente, nas consequências da guerra e porque é que a mesma deve ser evitada a todo o custo. De seguida, perguntem a vocês mesmos se acreditam que a actual Geração Z, mimada, habituada ao facilitismo, dominada pelo hedonismo materialista e com a cabeça carcomida por tik toks e smartphones, se acreditam mesmo que esta nova geração, aguentaria mais de 5 minutos em combate contra a tropa russa?... 

Há um fosso civilizacional muito profundo, que separa o Oriente do Ocidente. Uma das facetas deste fosso, é a forma como os russos são preparados e treinados desde miúdos, para enfrentar uma brutalidade e um nível de espartanismo, para os quais a Europa Ocidental não está minimamente preparada. Enquanto que nos países da Europa Ocidental, anda-se a perder tempo com futilidades e a ensinar coisas aos miúdos que muitas vezes não têm qualquer utilidade prática, na Rússia, os putos são educados assim:  

 
E para as raparigas existem clubes militares exclusivos, onde recebem treino e preparação para a defesa da "Mãe Rússia". Não existe nada na NATO ou UE a este nível, os russos simplesmente, estão a operar noutro universo em termos de preparação castrense e enquadramento da juventude:
 
 

Percebem a diferença?... Conseguem agora entender melhor, qual a grande diferença em termos de padrão civilizacional (e espiritual...), que separa a UE/NATO da Federação Russa? Ao passo que na UE/NATO a juventude está cada vez mais reduzida a "florzinhas de estufa", que entram em pânico se ficarem sem smartphone mais de 15 minutos, na Rússia preparam-se soldados a sério para o futuro e patriotas dispostos a lutar e morrer em defesa do seu País. Este é o principal motivo, pelo qual eu acredito que durante pelo menos as próximas duas décadas, a NATO não terá a mínima hipótese de vencer num eventual conflito contra a Rússia, que implique o envio de "botas" para o terreno. Uma sociedade para fazer a guerra, tem de estar física, psicológica e espiritualmente preparada para tal e a Europa Ocidental, pura e simplesmente, não reúne nenhum destes critérios na actualidade, nem sequer de perto. Idem para os EUA, que estão a entrar em decadência militar acelerada. 

Ninguém, nenhum País, nem nenhum Exército, Marinha ou Força Aérea na NATO, está hoje minimamente preparado para enfrentar as Forças Armadas da Federação Russa, num eventual choque bélico. As deficiências não são apenas ao nível da falta de "carne" em quantidade e condições para combater, mas também ao nível da indústria, da doutrina militar (está completamente ultrapassada...) e da economia real. 

Nada disto é propriamente novidade e é do domínio público, porém, a larga desinformação que está a ser disseminada por muitos jornalistas desonestos, "comentadores" e "opinadores" da praça pública, continua a levar muitos ao engano. Andrei Martyanov, que é de longe, um dos melhores analistas militares da actualidade, publicou em 2018 um livro profético, que já antevia e denunciava, todos os problemas de que a NATO e a máquina militar dos EUA, estão a sofrer hoje. Esta obra, intitulada Losing Military Supremacy: The Myopia of American Strategic Planning, deveria ser leitura obrigatória para todos os militares da NATO, jornalistas, comentadores, políticos e demais cidadãos, que desejem opinar sobre guerra ou sobre as tais "capacidades da NATO", que só existem nos filmes de Hollywood. A leitura, o estudo e a reflexão profunda, quer queiram, quer não, serão sempre o único remédio eficaz contra a ignorância e a estupidez. Este livro, se tivesse sido amplamente divulgado e distribuído no Ocidente, podia-nos ter salvo a todos do actual debacle na Ucrânia:

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O Irão tem legitimidade para atacar bases da NATO na Europa?

 

O Império Anglo-Sionista e os seus vassalos andam preocupados com as capacidades do Irão no sentido de poder atacar a Europa, segundo aquilo que foi ontem divulgado na imprensa ocidental:

«O Irão estará a ponderar atacar alvos militares norte-americanos na Europa caso os Estados Unidos decidam intensificar a guerra, numa altura em que Teerão está a estudar as opções que tem em cima da mesa após Donald Trump, Presidente norte-americano, ter dito que não pretende prolongar o cessar-fogo – que expirou na segunda-feira – acordado no memorando de entendimento assinado pelas duas partes em junho.  

Duas fontes internas do regime iraniano revelaram ao Financial Times (FT) que as forças armadas do país avaliaram a possibilidade de atacar alvos norte-americanos em países do sudeste da Europa, como a Bulgária, que no mês passado aprovou a utilização da sua base aérea de Bezmer para aeronaves de reabastecimento norte-americanas. Uma das fontes acrescentou ao jornal britânico que Chipre – onde uma base norte-americana já tinha sido alvo de um ataque - também está entre as potenciais áreas de retaliação, caso haja uma nova ofensiva dos Estados Unidos no Irão. 

[...]

No mês passado, as autoridades iranianas tinham ameaçado o Reino Unido devido à utilização de bases militares britânicas pelos EUA, afirmando que “qualquer base que seja utilizada para lançar um ataque contra o território iraniano será considerada um alvo legítimo”. Segundo as mesmas fontes, a retaliação do Irão dependerá das ações de Washington.»

Pode o Irão atacar a Europa? Pode. Claro que pode. 

Tem capacidade para atacar bases militares na Europa? Sim, tem. Os mísseis balísticos fabricados pelo Irão, conseguem sem problemas chegar à Europa Central. Com alta probabilidade, o Irão pode estar até já na posse de mísseis com capacidade para chegar mesmo até Londres, Berlim ou Paris. 

Tem o Irão legitimidade para atacar bases da NATO na Europa? Depende! Se essas bases estiverem a ser usadas pelos EUA ou qualquer outro País, com o fim de apoiar, nem que seja apenas de forma logística, uma qualquer agressão contra o Irão, então nesse caso o Irão tem toda a licitude ao abrigo do direito internacional, para retaliar contra bases da NATO na Europa. 

A República Islâmica do Irão é um Estado-Civilização que se deve levar a sério e deve ser respeitado. Quem hoje está a perturbar a ordem internacional e a paz mundial, não é o Irão, nem sequer a Rússia, mas sim, são os EUA, Israel e os seus lacaios da NATO e da UE. A história dos últimos 50 anos demonstra e deixa bem claro como em todo e qualquer lugar onde esta gente intervenha, o que se vê como resultado é caos, violência, desordem e desestabilização em toda a linha. Assim foi no Vietname, na América Latina, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na Síria e mais recentemente no Irão. Muitos ocidentais podem não ter noção disto, mas o facto é que os EUA, a NATO e a UE, transformaram-se nos "maus da fita" no Mundo dos dias que correm. 

Os BRICS e o Sul Global em geral, cada vez mais olham menos para o Ocidente como exemplo a seguir, seja naquilo que for. Eles não querem a nossa "democracia" dos oligarcas, em que ganham as eleições os partidos que têm mais dinheiro e influência nos media, nem querem saber do blá, blá, blá hipócrita do Ocidente sobre "direitos humanos" ou "ambientalismo". O hedonismo do Ocidente, misturado com a fantasia ianque do excepcionalismo americano, é mal visto e criticado por grande parte do Mundo. O que o Sul Global, os BRICS e o Mundo em geral querem, é que a Epstein Class que governa o Ocidente, os deixe em paz e pare de alimentar caos, guerra e sofrimento por tudo quanto é sítio. 

Já agora e para quem não sabe, fez ontem 73 anos que os EUA e a Grã-Bretanha levaram a cabo um golpe de Estado no Irão, para derrubar o então democraticamente eleito Mohammad Mosaddegh, que tinha como programa, à época, a nacionalização da indústria petrolífera iraniana, de forma a retirar ao Reino Unido o controlo económico que este exercia sobre o Irão. Isto é o nível das "elites" e dos regimes pseudo-democráticos que governam o Ocidente. Nada mudou desde 1953. Continuamos a ser governados por canalha. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Quem quer morrer pela Ucrânia?

 

 
É vê-los a pulular por aí, alguns em estado de quase hiperatividade nas redes sociais e nas televisões. Gente, muitos deles baby boomers já com mais de 60 anos, que não apoiaram a defesa do Ultramar em África e fugiram ou tentariam fugir à guerra, porque "era injusta", mas que agora, querem a mando da NATO e dos tarados em Washington, enviar a juventude portuguesa para ficar sem pernas ou morrer com as tripas de fora, na Ucrânia ou outra terra qualquer a Leste:

«Assim acontece com a nossa participação na União Europeia como na NATO, limitando-se Portugal a seguir e a executar subordinado a uma política externa e de defesa das potências que efectivamente lideram as referidas organizações. 

Curiosamente aqueles que dentro de portas defendem o envio de militares e forças de segurança para o exterior, são exactamente aqueles que criticam ou criticavam a acção militar portuguesa nos territórios sob administração portuguesa, em território português, neste caso apenas defendíamos a nossa soberania e a Nação portuguesa, aquém e além mar, absolutamente legítimo e justo, apenas pugnámos por manter a nossa integridade nacional.»

É de um cinismo e de uma canalhice sem precedentes, haver por aí gente que não estava ou estaria disposta a pegar numa G3 para defender Portugal em África, mas que agora, volvidos mais de 50 anos e quando sabem que eles já não vão ser chamados para a linha da frente, querem enviar os filhos dos outros para combater por territórios, que historicamente, não têm qualquer ligação a Portugal e onde não temos praticamente quaisquer interesses de relevo. 

A Ucrânia não é um problema nosso, nem a Polónia, nem a Roménia, nem a Moldávia, nem os Bálticos. A Europa de Leste é uma região do Mundo que à semelhança do Médio Oriente, fervilha com muitos ódios antigos e "bifes" por resolver. Os povos de Leste, ciclicamente, andam todos à pancadaria e quando não é contra o Império Russo, é entre eles mesmos. Portugal deve manter-se o mais distante possível disto. Já temos problemas que cheguem e não precisamos de mais. 

Recordo que em 2022, nas primeiras semanas logo após o início da Operação Militar Especial que Putin lançou na Ucrânia, Zelensky, em conjunto com alguns comentadores e políticos ocidentais irresponsáveis, exigia que a NATO «criasse uma zona de exclusão aérea» sobre a Ucrânia. Fazer isto, obviamente, exigiria que a NATO entrasse em guerra direta contra a Federação Russa, com o que tudo isso implicaria em termos de risco de uma escalada nuclear. Felizmente, o então já senil Joe Biden (ou quem o rodeava...) ainda teve o discernimento suficiente para não embarcar em tamanha loucura, todavia, isto não deixa de constituir um excelente exemplo de como determinadas ideias estúpidas, nos podem arrastar a todos para uma guerra que, no limite, pode terminar com um Apocalipse nuclear.