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domingo, 27 de setembro de 2026

Estará no horizonte uma possível coligação entre o Chega e o ADN?


 

O recente e aparentemente bastante "caloroso" encontro, entre o Vice-Presidente da Assembleia da República e ideólogo do Chega, Diogo Pacheco de Amorim e o líder do Alternativa Democrática Nacional (ADN), deixa-me com a forte suspeita de que poderá estar no horizonte a médio/longo prazo, uma potencial coligação entre o Chega e o ADN.

O ADN não conseguiu até agora furar o "cordão sanitário" que o regime dito "democrático" criou em seu torno e entrar na Assembleia da República, mas tem estado perto... é bem possível que nas próximas legislativas, consigam eleger pelo menos um deputado. Nas legislativas de 2025, o ADN teve 81,594 votos, o que corresponde percentualmente a 1,29% do total dos votos. É pouco, mas mesmo assim foi o suficiente para colocar o ADN estrategicamente logo atrás do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que conseguiu eleger um deputado, com uma diferença de apenas 5 mil votos de vantagem sobre o ADN. 

O facto de haver muitos pontos em comum entre o Chega e o ADN, é o principal factor que poderá impulsionar uma possível coligação entre estes dois partidos. Todavia, há questões que me parece que terão de ser resolvidas, se o ADN quiser entrelaçar o seu percurso político com o Chega. A primeira destas grandes questões e que tem sido repetidamente referida pela própria Joana Amaral Dias, que já foi até cabeça de lista pelo ADN às europeias, é a questão da Guerra Russo-Ucraniana e do apoio do Chega à causa de Kiev. 

Gostem ou não dela e do ADN, é um facto que Joana Amaral Dias tem denunciado aberta e repetidamente o «lobby armamentista» e o facto de estarmos hoje reduzidos a vassalos da NATO, ou seja, a interesses que não são os nossos. Vejam por vós:
 
 
O apoio declarado do Chega a Israel e ao Sionismo, é outra questão extremamente problemática e que a mim, pessoalmente, sempre me fez suspeitar de muita coisa sinistra em relação ao partido fundado por André Ventura. O Chega deu-se ao trabalho de colocar no seu programa político de 2021, que é adepto de um «compromisso inequívoco com a defesa da existência do Estado de Israel.» O próprio André Ventura, enquanto o Estado Sionista cometia um genocídio na Palestina, que é reconhecido pelo Mundo inteiro, entregou um «voto de saudação a Israel» no parlamento. Ademais, o Chega foi o único partido da Assembleia da República que nunca pediu um cessar-fogo em Gaza. Perante este cenário dantesco e de apoio total aos crimes contra a Humanidade cometidos pelo Estado Sionista, restam inevitavelmente algumas perguntas bastante incómodas: 

O que ganha o Chega em fazer esta defesa fanática do Estado Sionista?...

Porque é que de todos os países que existem no Mundo, Israel é o único que é citado no Programa Político do Chega? 

O que torna Israel "especial" em relação aos restantes 194 países que existem no Mundo?! 

Porque é que o Chega defende de forma «inequívoca» o Estado de Israel e não afirma o mesmo princípio em relação ao Estado da Palestina? 

São só os judeus sionistas que têm direito a ter um Estado e os palestinianos não? É a este ponto de miséria moral que chegámos?! 

Não sei, portanto, se será possível o ADN realmente vir a concretizar uma potencial coligação com o Chega e se esta se vier a materializar, creio que terá de ser muito cuidadosamente planeada e pensada, caso contrário, o ADN correrá o risco de ser cooptado e em última análise, "comido" pelo Chega e pelo "sistema"... Acredito até, que mais facilmente o Chega se vai aliar ao Partido Social Democrata (PSD) no caso de um hipotético regresso de Passos Coelho à política, do que ao ADN. 

Uma coisa é certa: a política em Portugal está reduzida hoje, à semelhança do Brasil, a um circo grotesco onde imperam interesses obscuros e muita corrupção. As consequências de tudo isto estão à vista na sociedade e são palpáveis na descredibilização e desgaste do sistema democrático e do próprio regime. Os opositores do Estado Novo, costumavam acusar este de "cheirar a mofo" e de estar "bafiento", porém, hoje o regime que temos em Portugal e que foi parido pela extrema-esquerda nos idos de 74-75, está também ele "velho e relho", a ponto de cerca de metade dos eleitores já nem se dar ao trabalho de irem votar quando há eleições, pois já não acreditam em nada, nem em partidos nenhuns. 

A própria Constituição que temos hoje, aprovada originalmente em 1976, com o Parlamento sob cerco da esquerda radical, nunca foi sequer sujeita a qualquer referendo popular, algo que, de resto, já é típico neste regime, sendo que, a própria República e os paladinos da "ética republicana", que gostam de encher a boca com a "democracia", nunca realizaram até hoje qualquer referendo a perguntar ao povo português, se este concorda com a destituição da monarquia que ocorreu em 1910 e a sua substituição, por um modo de governo republicano? Tudo muito "ético" e "democrático", que não restem dúvidas...