Mostrar mensagens com a etiqueta escravatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta escravatura. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de outubro de 2026

Deve o Ocidente pagar "reparações" aos países africanos, pelo tráfico transatlântico de escravos?



Em Março deste ano, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução — proposta pela República do Gana e que contou com a abstenção de Portugal — reconhecendo o tráfico transatlântico de escravos como tendo sido «o maior crime contra a Humanidade» e exigindo discussões sobre eventuais "reparações".

Esta conversa sobre "reparações" por causa do tráfico de escravos africanos que ocorreu há séculos, não é nova e não faz qualquer sentido, sendo que tem como objectivo ideológico apenas o de diabolizar a Europa, singularizando e responsabilizando unicamente os europeus pela escravatura, como se mais nenhum povo no planeta tivesse praticado a escravatura e cometido actos, que à luz da moral de hoje, são inaceitáveis. 

Recordo que o Império Romano, quando ocupou a Península Ibérica também fez por cá muitos escravos. Durante o longo e violento processo de conquista da Península Ibérica (entre os séculos III a.C. e I a.C.), a escravização dos povos nativos — incluindo os lusitanos — foi uma prática comum e altamente lucrativa para o Império Romano. É bem possível, que muitos portugueses e espanhóis tenham algures algum antepassado, que foi escravizado pelos romanos e não é por isso que nós portugueses, ou os espanhóis, vamos agora exigir a Itália e ao governo de Giorgia Meloni, que nos paguem "reparações" pela ocupação romana da Península Ibérica.  

A história é aquilo que é e não há forma de alterar este facto. A escravatura foi também praticada por chineses, mongóis, árabes, turcos, maias, etc... Os azetecas na América do Sul, até tinham por hábito sacrificar alguns dos seus escravos em rituais religiosos sangrentos. Quanto aos africanos, está por demais documentado e comprovado, como a escravatura já existia entre os próprios africanos muito antes da chegada dos europeus. Nós europeus, nem sequer conseguimos penetrar em profundidade no território africano até ao século XIX, devido ao simples facto de que morríamos das doenças tropicais. O território africano era extremamente difícil e foi apenas graças aos avanços da medicina e da ciência, a partir do século XIX, que se começou realmente a conseguir entrar em África. Foi por este motivo que a presença portuguesa no continente africano, até meados do século XIX, se limitava basicamente a entrepostos comerciais e a concentrações humanas/urbanas ao longo da costa. O Reino do Congo, a título de exemplo, participou activamente com Portugal no comércio de escravos, fornecendo cativos que eram, na sua maioria, prisioneiros de guerra ou pessoas capturadas em conflitos regionais. Portanto, aqui não há inocentes, nem há nada de novo. 

O que é novo em toda esta história da escravatura, isto sim, é esta vontade recente de querer culpar única e exclusivamente os europeus pela escravatura, algo que a meu ver, tem uma agenda ideológica sinistra por detrás, que visa apenas disseminar ódio contra o Ocidente e o legado cultural europeu no Mundo, como muito bem expôs Rui Ramos esta semana, no excelente artigo que publicou no Observador:

«O tráfico de escravos e a escravidão não singularizam as nações europeias na história da humanidade: o que as singularizou foi terem sido elas, antes de qualquer outra civilização, a proibir o tráfico e a abolir a escravidão. Poderiam, por isso, esperar algum reconhecimento. Mas não. É ao contrário: a assembleia geral da ONU, a 25 de Março, identificou os europeus como os únicos culpados do tráfico de escravos, e exige-lhes, duzentos anos depois, “reparações”.


O objectivo é político e muito claro: culpar o Ocidente. O método também é óbvio. A resolução da ONU classifica o tráfico de escravos africanos no Atlântico pelos europeus como “o mais grave crime contra a humanidade” na história do mundo. É fácil de ver onde se quer chegar, ao usar termos outrora reservados ao extermínio dos judeus pela Alemanha nazi: tratar os europeus como se todos tivessem sido sempre nazis e tudo o que fizeram no mundo equivalesse ao holocausto. O infante D. Henrique teria sido um Himmler, Vasco da Gama um Goering, Camões um Goebbels, e o ultramar português um campo de extermínio como Auschwitz. Aos europeus, restaria uma maneira de se redimirem: renegarem o seu passado, e aceitarem que são os únicos povos que no mundo não têm direito à continuidade histórica nem à soberania política.


Mas não é só a esquerda revolucionária. Ao seu lado, estão os idiotas úteis de um eurocentrismo às avessas, convencidos de que o destino da Europa é agora expiar todos os pecados do mundo, e uma velha oligarquia cobarde e oportunista, que trata as “reparações” como uma simples e manhosa concessão ao “ar do tempo”, para facilitar traficâncias com ditadores. De facto, não nos devemos indignar com quem exige desculpas e reparações, mas com quem não é capaz de as recusar, como os Estados europeus que se abstiveram na votação da ONU e agora andarão a negociar com o Gana. O governo português já negou estar a negociar. Mas Portugal foi um dos Estados que se absteve na ONU, isto é, que não teve a sabedoria e a coragem de defender o seu passado e os seus valores. Nada ameaça tanto a democracia e o Estado de direito no Ocidente como estas oligarquias moral e intelectualmente desarmadas, e por isso incapazes de guardar e valorizar a história das nações ocidentais.»