Esta conversa sobre "reparações" por causa do tráfico de escravos africanos que ocorreu há séculos, não é nova e não faz qualquer sentido, sendo que tem como objectivo ideológico apenas o de diabolizar a Europa, singularizando e responsabilizando unicamente os europeus pela escravatura, como se mais nenhum povo no planeta tivesse praticado a escravatura e cometido actos, que à luz da moral de hoje, são inaceitáveis.
Recordo que o Império Romano, quando ocupou a Península Ibérica também fez por cá muitos escravos. Durante o longo e violento processo de conquista da Península Ibérica (entre os séculos III a.C. e I a.C.), a escravização dos povos nativos — incluindo os lusitanos — foi uma prática comum e altamente lucrativa para o Império Romano. É bem possível, que muitos portugueses e espanhóis tenham algures algum antepassado, que foi escravizado pelos romanos e não é por isso que nós portugueses, ou os espanhóis, vamos agora exigir a Itália e ao governo de Giorgia Meloni, que nos paguem "reparações" pela ocupação romana da Península Ibérica.
A história é aquilo que é e não há forma de alterar este facto. A escravatura foi também praticada por chineses, mongóis, árabes, turcos, maias, etc... Os azetecas na América do Sul, até tinham por hábito sacrificar alguns dos seus escravos em rituais religiosos sangrentos. Quanto aos africanos, está por demais documentado e comprovado, como a escravatura já existia entre os próprios africanos muito antes da chegada dos europeus. Nós europeus, nem sequer conseguimos penetrar em profundidade no território africano até ao século XIX, devido ao simples facto de que morríamos das doenças tropicais. O território africano era extremamente difícil e foi apenas graças aos avanços da medicina e da ciência, a partir do século XIX, que se começou realmente a conseguir entrar em África. Foi por este motivo que a presença portuguesa no continente africano, até meados do século XIX, se limitava basicamente a entrepostos comerciais e a concentrações humanas/urbanas ao longo da costa. O Reino do Congo, a título de exemplo, participou activamente com Portugal no comércio de escravos, fornecendo cativos que eram, na sua maioria, prisioneiros de guerra ou pessoas capturadas em conflitos regionais. Portanto, aqui não há inocentes, nem há nada de novo.
O que é novo em toda esta história da escravatura, isto sim, é esta vontade recente de querer culpar única e exclusivamente os europeus pela escravatura, algo que a meu ver, tem uma agenda ideológica sinistra por detrás, que visa apenas disseminar ódio contra o Ocidente e o legado cultural europeu no Mundo, como muito bem expôs Rui Ramos esta semana, no excelente artigo que publicou no Observador:

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