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sábado, 19 de setembro de 2026

O último socialista com juízo na Europa...

  
 

Robert Fico, arrisco dizer, será talvez o último líder socialista com juízo que resta na Europa. As suas posições realistas e pragmáticas no que a geopolítica dizem respeito, fundamentadas num pensamento que revela claramente bastante maturidade, reflexão, responsabilidade e conhecimento dos factos passados e presentes, levaram-no a ser comummente descrito pela imprensa como sendo um líder "pró-russo" infiltrado no seio da Europa. Esta é, de resto, a triste sina de todas as almas caridosas que hoje falam em prol da paz na Europa e que defendem o caminho da cooperação e não o do belicismo suicida em relação a Moscovo. 

O actual Primeiro-Ministro da Eslováquia, que em tempos já foi comunista, sendo que até foi militante do extinto Partido Comunista da Checoslováquia, é desprezado por grande parte dos seus pares socialistas na Europa. Este desprezo chegou ao ponto de em 2023, António Costa, então líder do Partido Socialista em Portugal, ter escrito uma carta ao presidente do Partido Socialista Europeu, a pedir a expulsão de Robert Fico do grupo. O motivo para isto não foi apenas o facto de Robert Fico querer ter boas relações com a Rússia de Putin, mas também, o facto de Robert Fico ter feito um governo de coligação que inclui um partido de extrema-direita, o Partido Nacional Eslovaco, que é assumidamente russófilo, ultranacionalista, cristão e conservador. 

Robert Fico, tem colocado em prática na Eslováquia aquilo que eu próprio há muito penso sobre a actual situação em que estamos colocados na Europa. Isto é, não há outra solução para se poder derrotar o "sistema" e a elite globalista/anglo-sionista, a não ser através da união de todas as forças genuinamente anti-sistema que existem na Europa, sejam elas de direita, esquerda, extrema-direita, extrema-esquerda, terceira posição ou até mesmo anarquistas. Fico percebeu isto e foi por isso que não hesitou em fazer aquilo que para muita gente da esquerda é considerada a heresia suprema, ou seja, aliou-se à extrema-direita ou ultradireita, de forma a garantir a viabilidade do seu mandato, a estabilidade do País e acima de tudo, a defesa dos melhores interesses da Eslováquia e do seu povo. 

Pode Portugal aprender alguma coisa com o exemplo eslovaco? Tenho sérias dúvidas... o quadro político nacional está hoje dividido entre uma esquerda chalupa, delirante, dogmática e utópica, que nem sabe para onde está a rumar e uma nova direita, capitaneada pelo Chega de André Ventura, completamente submisso aos interesses e à agenda do Império Anglo-Sionista. O que temos actualmente em Portugal, do ponto de vista político, "não tem ponta por onde se lhe pegue" e como já é hábito e costume, é o povo português que vai, inevitavelmente, continuar a pagar a factura e a ser "comido de cebolada" por demagogos...