É de um cinismo e de uma canalhice sem precedentes, haver por aí gente que não estava ou estaria disposta a pegar numa G3 para defender Portugal em África, mas que agora, volvidos mais de 50 anos e quando sabem que eles já não vão ser chamados para a linha da frente, querem enviar os filhos dos outros para combater por territórios, que historicamente, não têm qualquer ligação a Portugal e onde não temos praticamente quaisquer interesses de relevo.
A Ucrânia não é um problema nosso, nem a Polónia, nem a Roménia, nem a Moldávia, nem os Bálticos. A Europa de Leste é uma região do Mundo que à semelhança do Médio Oriente, fervilha com muitos ódios antigos e "bifes" por resolver. Os povos de Leste, ciclicamente, andam todos à pancadaria e quando não é contra o Império Russo, é entre eles mesmos. Portugal deve manter-se o mais distante possível disto. Já temos problemas que cheguem e não precisamos de mais.
Recordo que em 2022, nas primeiras semanas logo após o início da Operação Militar Especial que Putin lançou na Ucrânia, Zelensky, em conjunto com alguns comentadores e políticos ocidentais irresponsáveis, exigia que a NATO «criasse uma zona de exclusão aérea» sobre a Ucrânia. Fazer isto, obviamente, exigiria que a NATO entrasse em guerra direta contra a Federação Russa, com o que tudo isso implicaria em termos de risco de uma escalada nuclear. Felizmente, o então já senil Joe Biden (ou quem o rodeava...) ainda teve o discernimento suficiente para não embarcar em tamanha loucura, todavia, isto não deixa de constituir um excelente exemplo de como determinadas ideias estúpidas, nos podem arrastar a todos para uma guerra que, no limite, pode terminar com um Apocalipse nuclear.

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