Os EUA e o Ocidente são governados neste momento por uma elite que não entende o que é a guerra real e o que é que esta implica tanto em termos de necessidades (recursos naturais, indústria, stocks de munições, logística, modelos matemáticos, mentalidade, demografia, cultura académica, etc...), como em termos de consequências. A concepção que as elites ocidentais e grande parte da população têm hoje da guerra, é uma concepção muito rudimentar, Hollywoodesca até, laboriosamente construída por décadas de propaganda e lavagem cerebral.
O mito da "invencibilidade americana", apesar de ter sido completamente estilhaçado pela República Islâmica do Irão nos últimos meses, ainda continua a dominar as análises de grande parte dos jornalistas e da intelligentsia ocidental. A verdade, porém, é que esta gente é pura e simplesmente incompetente. A CIA, os conselheiros que rodeiam Trump, inúmeros "analistas" ao serviço de Washington e da NATO, esta gente não ocupa os cargos que atualmente ocupa por serem os melhores, mas sim, porque dizem aquilo que o Deep State e a elite reinante querem que esta gente diga, quais papagaios de serviço. Esta é a grande diferença entre a América de hoje e a América que tínhamos até aos anos 1980. Comparem a administração de Ronald Reagan com a administração patética que temos hoje com Trump. Reagan, digam o que disserem dele, tinha especialistas e académicos realmente capazes a aconselhá-lo. Numa altura em que o Mundo ainda vivia em plena Guerra Fria, a administração Reagan tinha ao seu serviço a "nata da nata" daquilo que o Ocidente produzia em termos de analistas sobre a URSS e o Mundo Comunista. A administração de Reagan era hostil à URSS e ao Comunismo, isso é inquestionável, porém, esta administração era simultaneamente realista e tinha uma noção minimamente pragmática da realpoltik. Hoje, ao invés, tanto a administração de Trump, como a de muitos países europeus, estão pejadas de ideólogos neocons, extremamente agressivos e caracterizados por uma postura de superioridade arrogante em relação ao resto do Mundo. Um bom exemplo disto mesmo foram as infelizes palavras do antigo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrel, quando este afirmou num discurso em 2022 que a Europa é «um jardim» e o resto do Mundo «uma selva».
O que permitiu que evitássemos durante décadas a loucura de uma guerra nuclear global que teria tido resultados catastróficos para a Humanidade, foi uma profunda noção realista e uma postura pragmática, da parte dos líderes que o Ocidente teve até ao fim da Guerra Fria. Esta mentalidade realista e pragmática, era também reforçada pelo facto de praticamente todos os estadistas ocidentais da Guerra Fria, terem sido eles próprios militares durante a Segunda Guerra Mundial e por isso mesmo, sabiam o que era a guerra real e tinham noção das consequências da mesma. Truman, Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan e até mesmo Bush (pai), todos estes líderes eram avessos ao sistema socialista proposto pela URSS, porém, eles sabiam o que era a guerra real e foi por isso mesmo que o Mundo conseguiu sobreviver à Guerra Fria. Independentemente das preferências ideológicas de cada um, temos de reconhecer esta evidência. Os líderes dos EUA, da CEE e da URSS, cada um à sua maneira e apesar de todas as guerras por procuração, golpes de Estado, assassinatos, jogos de espionagem e manobras diplomáticas em que andaram envolvidos, apesar disto tudo, tiveram o discernimento necessário para conseguir evitar a escalada final rumo ao Apocalipse Nuclear.
Ora, passa-se que nos dias que correm, ao invés de tudo o que eu acima descrevi, estamos entregues à maior irresponsabilidade no Ocidente com os Trumps, as Von der Leyens e as Kaja Kallas que por aí pululam. Esta gente nunca esteve na guerra ou cumpriu sequer qualquer serviço militar. Não sabem o que é a guerra real, são mal aconselhados e são completamente ignorantes sobre a Rússia, a China ou o Irão e é precisamente por esse motivo, que nos arrastaram a todos para o "bróculo" geopolítico que vivemos atualmente no concerto das nações.
O momento atual é grave... gravíssimo para dizer o mínimo e arrisco dizer que 99% da população ocidental não tem a mínima noção disto.
O Mundo está neste momento a viver uma nova guerra Mundial, disputada entre o Eixo Moscovo-Teerão-Pequim e aquilo que podemos designar pelo Império Anglo-Sionista. De uma lado temos a maioria da população mundial, os BRICS, o Sul Global e grande parte dos recursos naturais e industriais do planeta, incluindo terras raras. Do outro, temos os EUA e Israel com os seus vassalos da NATO e da UE.
O Império Anglo-Sionista, que é comandado a partir de Telavive e Washington e que os russos costumam designar por «ocidente coletivo», não possui recursos naturais suficientes e muito menos humanos para poder derrotar ou sequer travar a Rússia, a China e o Irão juntos. O que isto significa, traduzido para os mais leigos nesta matéria, é que chegou a hora do Ocidente começar a negociar de boa fé para salvar o que lhe resta e deixar-se de fantasias sobre domínio mundial (os anos 1990 já terminaram há muito...), caso contrário, iremos inevitavelmente assistir nos próximos anos a um cerco e ataque cerrado cada vez mais intenso a nível global, tanto em relação aos interesses ocidentais, como em relação à NATO. O que se está a passar neste preciso momento na Ucrânia, no Médio Oriente e em África, onde a China e a Rússia estão a dominar cada vez mais, está a expor perante o Mundo a fragilidade ocidental em todo o seu esplendor.
Quanto mais o Ocidente adiar as negociações e continuar a sua política de hostilidade em relação à Rússia, o Irão e a China, pior será o desfecho final de toda esta situação para todas as partes envolvidas. Têm dúvidas sobre isto que eu afirmo?! Então experimentem ler a imprensa russa, chinesa e iraniana que está disponível online e traduzida para quem se interessar... o que por lá se escreve e demonstra, expõe completamente ao ridículo as narrativas e fantasias ocidentais sobre vitórias imaginárias na Ucrânia ou no Estreito de Ormuz. Para agravar tudo, é notório como o Irão, a Rússia e a China estão a solidificar as suas alianças em termos de defesa coletiva e com a participação da Coreia do Norte. O que isto significa é que será de prever que nos próximos anos a NATO vá ser alvo de um cerco gradual que já começou na Europa, onde Putin traçou a linha vermelha na Ucrânia e no Médio Oriente, onde o Irão está gradualmente a destruir toda a infraestrutura militar americana com mísseis e drones.
Putin deixou claro no fim de 2021 que a NATO iria ser empurrada para trás a bem ou a mal... Em Dezembro de 2021, a Rússia entregou ao Ocidente vários documentos e propostas de acordo, onde avançava com uma renegociação de toda a arquitetura de segurança internacional e o compromisso escrito por parte dos EUA, de nunca deixarem a Ucrânia aderir à NATO. O Ocidente, de forma totalmente arrogante e agressiva, recusou integralmente as propostas de paz russas e ainda se riu na cara dos russos e fez troça da linha diplomática seguida por Moscovo. Sei muito bem de tudo isto, pois escrevi sobre esta questão na altura em vários artigos e recordo-me até de por volta de alturas do Natal de 2021, eu ter escrito um artigo em que advertia que aquele seria o último Natal em paz na Europa durante muito tempo, pois a guerra estava ao virar da esquina... Os factos demonstram como não me enganei e dois meses depois em Fevereiro de 2022, a Rússia, após anos de promessas falhadas por parte do Ocidente e já não podendo tolerar mais os sucessivos alargamentos da NATO em direção às suas fronteiras, foi obrigada a tomar medidas técnico-militares que se traduziram na Operação Militar Especial que dura até hoje na Ucrânia.
O Ocidente, nomeadamente os EUA, a UE e a NATO, são inteiramente culpados e responsáveis pelo conflito que grassa hoje na Ucrânia e os americanos especialmente, ao que tudo indica, provocaram-no tendo em conta três grandes objetivos estratégicos, a saber:
- Sancionar a Rússia de forma muito violenta, de forma a tentar provocar o colapso do governo de Putin e se possível, substituir Putin por um fantoche qualquer ao serviço do Ocidente.
- Cumprido o ponto 1, aproveitar o caos das sanções e da guerra, para tentar provocar o colapso do Estado Russo e a consequente fragmentação da Rússia. A CIA e os vários serviços secretos ocidentais, já estavam preparados para fornecer armamento e inteligência a quaisquer grupos que lutassem contra Moscovo.
- Através das sanções contra a Rússia, cortar as ligações económicas entre a UE e a Rússia, com consequências muito negativas para a UE. Os EUA passam assim a ser os grandes fornecedores de bens e armamento à Europa. Washington ganha em literalmente tudo e os europeus, conduzidos por políticos serviçais do Império Anglo-Sionista, ficam a ver os navios a passar...
Apenas compreendendo a vileza e violência do ataque que foi organizado contra a Rússia por parte do Ocidente coletivo, é que podemos entender porque é que os russos tomaram as medidas que tomaram na Ucrânia e porque é que Putin está disposto a ir até ao fim com a Operação Militar Especial, custe aquilo que custar. Estou certo de que a guerra em curso ainda irá durar algum tempo, porém, esta irá decorrer até que a Ucrânia seja totalmente desmilitarizada, desnazificada e em última análise, desmantelada para todo o sempre. Isto significa que o Estado Ucraniano com grande probabilidade irá deixar de existir, a Rússia irá absorver as terras que foram suas durante séculos e não haverá mais Zelensky, nem juntas pró-UE em Kiev, nem NATO na Ucrânia.
Recordo que tudo isto, este desfecho que eu sei que para muitos é absolutamente trágico, poderia ter sido todo evitado se o Ocidente em 2021, simplesmente, tivesse aceitado dar aos russos as garantias escritas que os russos então pediram. Agora, infelizmente, será muito pior e podem ter a certeza de que Moscovo não quer mais "negociações" com o Ocidente sobre a Ucrânia. A única "negociação" que a Federação Russa vai ter daqui para a frente com o Ocidente, vai ser para assinar a capitulação total e incondicional da Ucrânia nesta guerra, à semelhança do que aconteceu com a Alemanha Nacional-Socialista em 1945.
O ambiente geopolítico atual é dos mais perigosos das últimas décadas. Se o Ocidente não entender a mensagem com a derrota na Ucrânia que lhe irá ser imposta pela Federação Russa, o próximo passo será ainda mais drástico, poderá envolver diretamente as Forças Armadas da República Popular da China e as consequências são completamente imprevisíveis. Depois não digam que não foram avisados...
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