Alguns subsídios para a compreensão do Caso Camarate
«O nosso Povo tem sempre correspondido, nas horas de crise. As elites, as chamadas elites, é que sempre o traíram (...).» - Francisco Sá Carneiro, em Abril de 1978 (dois anos antes de ser assassinado)
Desde há mais de dez anos que eu investigo o Caso Camarate, sendo que até já cheguei a falar uma vez com José Esteves, que terá sido quem fez a bomba incendiária que matou Sá Carneiro e tenho reunido imensa informação sobre o assunto em questão. Deixo-vos aqui alguns subsídios que são mais do que suficientes para se perceber o que se passou no dia 4 de Dezembro de 1980.
Em primeiro lugar, podem ficar com esta entrevista ao próprio José Esteves, onde se vê também o jornalista Frederico Duarte Carvalho que faz de tradutor. Este terá sido por confissão própria, quem fez a bomba incendiária a mando de Fernando Farinha Simões, que depois foi colocada no Cessna 421 que acabou por cair em Camarate. José Esteves nasceu em Angola, foi comandante da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a certa altura, começou a ser usado pela CIA para fazer algum trabalho sujo. Durante o PREC José Esteves fez parte do Movimento Democrático de Libertação de Portgual (MDLP), que andava a colocar bombas em sedes do Partido Comunista Português (PCP). Foram em grande parte as bombas feitas pelo José Esteves que aterrorizaram a extrema-esquerda durante o Verão Quente de 1975. Em relação a Camarate, ele alega que não sabia que a bomba que fez era para matar Sá Carneiro e até fala de uma «segunda bomba» que seria de Frank Stugis, outro operacional da CIA, que esteve também envolvido em tudo isto até ao pescoço e que até se suspeita, que possa ter estado também implicado no assassinato de John F. Kennedy em 1963. Eu digo que é mentira. Só havia uma bomba e foi a que José Esteves fabricou, só que ele não quer admitir que é corresponsável pela morte de 7 pessoas inocentes e então inventou a tal estória da «segunda bomba»:
À margem, temos aqui um episódio insólito que José Esteves protagonizou em 1996, quando estacionou um carro blindado à porta de casa na Rua de São Ciro em plena Lisboa. Por aqui percebem melhor o "calibre" e o estilo da personagem em causa:
Depois, temos aqui outra peça-chave em toda esta história, neste caso Fernando Farinha Simões. Esta, é uma personagem, que também andou metido no MDLP e tem uma história de vida que dava para escrever um livro. Por confissão própria, trabalhou para a CIA até 1989, tem ligações familiares a Israel, às Forças de Defesa de Israel, à Mossad e foi ele que recrutou José Esteves para a operação que resultou na tragédia de Camarate, tendo pago a este 200 mil dólares pelo fabrico da bomba. Este Fernando Farinha Simões admite até que todo o dinheiro que financiou o assassinato de Sá Carneiro, foi fornecido pela CIA:
Aqui temos Frederico Duarte Carvalho, em duas entrevistas que deu a Alan Weberman. Este é o jornalista que mais tem contribuído para expor a verdade sobre Camarate. É o autor do livro Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão:
Por fim, voltamos a Fernando Farinha Simões e aqui deixo o link para a longa confissão de 18 páginas, que este escreveu em 2012 na prisão, enquanto cumpria pena por ter sequestrado uma jornalista. Segundo o próprio, ele terá sido abandonado pela CIA em 1989 e como os crimes em causa já prescreveram, ele já nada tem a esconder:
Tudo o que está exposto acima, penso que não deixa margem para a menor dúvida de que a CIA, esteve diretamente envolvida no assassinato de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. É absolutamente vergonhoso como foram precisos mais de 30 anos, para se saber de tudo isto. O Caso Camarate foi propositadamente deixado em "banho-maria" durante décadas, para que o tempo fosse eliminando as provas, as testemunhas e muitos dos próprios participantes que entretanto foram morrendo. Os poucos que ainda respiram, já não podem ser perseguidos judicialmente, pois os crimes já estão prescritos.
O Caso Camarate, para além de ter sido um crime hediondo, é uma das maiores infâmias e vergonhas da história da Terceira República Portuguesa. É escandaloso como nenhum governo português, tem a coragem de chamar publicamente à responsabilidade o governo dos Estados Unidos da América, por ter assassinado o Primeiro-Ministro de Portugal no dia 4 de Dezembro de 1980. A CIA, a Polícia Judiciária, o Ministério Público, a Embaixada Americana em Portugal e determinados poderes políticos e militares em Portugal, todos colaboraram entre si para garantir que as investigações ao Caso Camarate, nunca resultariam em qualquer julgamento ou condenação. Nunca, em toda a história de Portugal, se registou algo semelhante a isto.
Não há verdadeiramente democracia em Portugal. O que há é uma oligarquia travestida de "democracia" e que Washington permite que exista e sobreviva, na condição de que esta alinhe com a agenda do Império. O 25 de Abril e a «descolonização exemplar» que se lhe seguiu, neutralizou as capacidades de projeção de poder, que Portugal tinha no sistema internacional de relações entre as grandes potências. Com a morte de Sá Carneiro, que foi o último político realmente soberanista que tivemos no poder, esfumou-se a pouca independência que ainda restava a Portugal e o País, reduzido à indigência, entregue ao internacionalismo apátrida de Bruxelas e a gente completamente inenarrável, está progressivamente a ser desmantelado há décadas, pedra a pedra, até qualquer dia nada restar.
Se ainda não perceberam que o objetivo de quem hoje controla Portugal, é exatamente o de acabar com a Nação dos Portugueses, então é hora de acordarem...
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