sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Mário Soares, a NATO e a Rússia de Putin


Não me recordo exactamente da data, mas sei que foi por volta do Outono de 2006 ou 2007. Na altura, eu era ainda um jovem estudante em Coimbra e recebi um convite para assistir a uma palestra que Mário Soares iria dar antes da hora do jantar. 

O tema da palestra em causa era a situação internacional e política na Europa e eu acabei quase arrastado para a ocasião, por uns colegas de curso que não queriam perder a oportunidade de ver Mário Soares "ao vivo e a cores".  

A palestra, que decorreu no auditório da Faculdade de Direito, onde eu costumava ter aulas de Economia Política, lá começou e durante longos minutos Mário Soares discursou sobre coisas sem grande interesse para mim até que, de repente, o antigo Presidente da República parou, observou o público no auditório com ar grave e disse uma frase da qual eu nunca me vou esquecer: «Putin tem uns olhos pequenos e um olhar frio, mas por detrás daqueles olhos pequenos e daquele olhar, está um cérebro que pensa!»

De seguida, Mario Soares começou a deixar alertas sobre os perigos do alargamento da NATO em direção às fronteiras russas e da ameaça que os EUA representavam para a soberania da Europa. Confesso que, na altura, não dei grande importância a nada disto, porque eu era então muito jovem e não tinha os conhecimentos que possuo actualmente sobre história e geopolítica. Hoje, ao invés e olhando em retrospetiva, tenho de conceder que Mário Soares tinha razão de sobra sobre tudo o que afirmou na altura em relação à Rússia de Putin e à NATO. Tudo isto já foi também exposto pelo jornal Expresso, como podem ver:

«Pulido Valente antecipou em 2015 que “os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão (estavam) em curso. Para o Ocidente ver – ou não ver”. Sete anos antes, em 2008, tinha sido Mário Soares a lançar num artigo na Visão um grito de alerta: “A NATO, cercando a Rússia e instalando na Polónia e na República Checa bases de mísseis, começa a ser uma ameaça para a Rússia que a pode tornar agressiva. Um perigo!”.

O ex-Presidente criticava a Aliança Atlântica, que acusava de se ter tornado “um verdadeiro braço armado dos EUA” e de estar a “fazer estragos noutras regiões do mundo, Cáucaso, zonas do Cáspio e do Mar Negro e países limítrofes da Rússia Ocidental”. E apontava o dedo ao vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, que “em fim de mandato, fez uma recente visita, altamente desestabilizadora, para dar, em nome da NATO, apoio à Geórgia”. Conclusão, pela pena de Soares: “A NATO, criada como organização defensiva, no início da guerra fria, está a tornar-se, por pressão dos neo-conservadores americanos, uma ameaça à paz. Cuidado União Europeia!”

Ora, o que está acima exposto deveria de ser esfregado na cara dos dirigentes do actual Partido Socialista (PS) - incluindo o ex-primeiro-ministro António Costa - que nos querem arrastar a todos para a loucura da guerra contra a Rússia, a mando dos interesses dos EUA. 

Gostem ou não de Mário Soares, é um facto que os seus avisos sobre as consequências irresponsáveis dos alargamentos da NATO na Europa de Leste, sem ter em conta os interesses e a segurança da Federação Russa, foram absolutamente premonitórios. Idem para os alertas de Mário Soares, sobre o facto de a NATO se ter tornado «um verdadeiro braço armado dos EUA», que está a «fazer estragos» no Mundo e que constitui «uma ameaça à paz». Sim, isso mesmo, leram bem, em 2008 Mário Soares já dizia abertamente que a NATO constituía «uma ameaça à paz» no Mundo e alertava que o facto de se estar «cercando a Rússia», instalando bases de mísseis na Polónia e na República Checa, era uma péssima ideia que acabaria por empurrar Moscovo para a guerra. 

É por demais evidente, que a Guerra Russo-Ucraniana é o resultado directo de muita irresponsabilidade e incúria, da parte da actual classe política que temos na Europa. Esta guerra nunca teria sequer começado, se a geração política a que Mário Soares pertenceu, continuasse a governar a Europa. Homens como Felipe González, François Mitterrand, Willy Brandt, Bruno Kreisky, Helmut Kohl, Jacques Chirac, Gerhard Schröder, entre outras figuras que se destacaram na política europeia entre as décadas de 1970 e 1990, nunca teriam permitido que a desgraça da guerra regressasse à Europa. 

A União Europeia virou uma "nave dos loucos", sem rumo e sem futuro a continuar pelo actual caminho, sendo que Bruxelas se transformou numa mera "correia de transmissão" dos interesses do Imperialismo Anglo-Sionista. Ursula von der Leyen, António Costa e Kaja Kallas são gente perigosa, estúpida, narcisista e ignorante. As acções e as palavras destes líderes ao longo dos últimos anos, demonstram em pleno que não conhecem, nem dominam, noções básicas de geopolítica e relações internacionais, assim como não têm também noção de quais as reais capacidades e limites da NATO. Vladimir Putin, digam o que disserem dele, tem mostrado enorme contenção até aqui e o facto de ainda não ter atacado nenhum País da UE/NATO, apesar de todas as provocações e investidas terroristas dirigidas contra Moscovo, é um verdadeiro milagre. 

2 comentários:

  1. https://www.esquerda.net/content/nato-n%C3%A3o-faz-sentido-diz-m%C3%A1rio-soares

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  2. Putin Has "Every Right" to Strike NATO Weapons Plants, Ex-US Judge Claims:
    https://www.youtube.com/watch?v=k1rPrF0zx9M

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