domingo, 8 de novembro de 2026

Renata Cambra, Mário Machado e a desesperada necessidade de se ler Voltaire no século XXI

 
 

A antiga militante do Movimento Alternativa Socialista (MAS) e actual porta-voz do partido Trabalhadores Unidos (TU), Renata Cambra, tornou-se conhecida nos últimos dias devido às célebres "acampadas" no Rossio. 

Acampadas à margem, a mim o que me interessa é o que esta gente defende e aquilo que forma o "centro nevrálgico" do seu pensamento político-ideológico. Vejam o que diz no próprio Manifesto do Partido Trabalhadores Unidos de Renata Cambra:

«O nosso projeto nasce assim da urgência de responder aos efeitos das crises estruturais do capitalismo em Portugal e no mundo e é formado por militantes que, inspirados pelo legado do trotskismo e do morenismo, acreditam que somente através da organização da classe trabalhadora e dos setores oprimidos poderemos construir uma sociedade justa, igualitária e verdadeiramente socialista. Recusamos o chamado “socialismo real”, o regime de terror e prisão dos povos que os regimes estalinistas impuseram na ex-URSS, e noutros países do mundo, totalmente incompatíveis e opostos ao socialismo, assim como outros regimes e governos que se apresentaram como socialistas “do século XXI” e que não o foram.»

Portanto, basicamente e do supracitado, podemos concluir que Renata Cambra e os seus camaradas são assumidamente trotskistas, sendo que, não se revêem no modelo soviético do dito "socialismo real" de Estaline. Trotsky é o que inspira estas criaturas, que colocam este velho facínora judeu nos píncaros da santidade moral. Pois bem, vejam por vós quem foi Trotsky:

  • O Terror Vermelho: Como organizador e líder do Exército Vermelho e do Conselho Militar Revolucionário, Trotsky defendeu e implementou medidas violentas que ficaram conhecidas como o Terror Vermelho e que consistiram numa campanha de execuções em massa, prisões arbitrárias e repressão violenta contra "inimigos de classe", opositores políticos e grevistas, sem recurso a julgamentos formais. 
  • Repressão a Movimentos Sociais e Camponeses: Durante a Guerra Civil Russa, as forças sob o comando de Trotsky, foram responsáveis pelo esmagamento violento de revoltas camponesas e movimentos de oposição, que contestavam o controlo centralizado e as confiscações forçadas dos bolcheviques. Em 1921, Leon Trotsky, enquanto Comissário do Povo para a Guerra, teve um papel central e directo na organização da repressão militar brutal contra a Rebelião de Kronstadt e a Revolta de Tambov, que foram dois dos maiores levantamentos populares contra o governo bolchevique.
  • Apropriação e Centralização do Poder: Como alto dirigente do Partido Bolchevique, Trotsky participou na supressão de partidos políticos rivais (como os mencheviques e socialistas-revolucionários) e na imposição de um regime de partido único que baniu a liberdade de imprensa e de associação. 

Portanto, meus caros, está aí e não há desculpas para a ignorância ou o clássico "eu não sabia". É isto que serve de grande inspiração ideológica ao novo partido de Renata Cambra e é esta gente, defensora de um carniceiro como Leon Trotsky, que depois anda a queixar-se nas televisões das "cargas policiais" e do "Fascismo", que eles imaginam estar escondido em cada esquina.

O Trotskismo de Renata Cambra não é menos perigoso do que o Fascismo Neonazi de Mário Machado. Ambos odeiam a Liberdade e querem impor à sociedade modelos políticos de índole totalitária. A única grande diferença é que Mário Machado está neste momento na prisão a cumprir pena, por ter escrito uma opinião numa rede social. Renata Cambra, pelo contrário, pode andar por aí a branquear e a defender abertamente regimes totalitários e facínoras sanguinários da laia de Trotsky, responsáveis por algumas das piores atrocidades da história, que no pasa nada. 

Em Portugal a democracia é canhota e isto tem protecção na Constituição, que proíbe partidos que «perfilhem a ideologia fascista», ou seja e dito de outra forma, podem existir em Portugal partidos que defendam o Totalitarismo político, mas apenas se foram de esquerda...😉🙈 Obviamente, eu não concordo com isto e nunca o escondi. Sou contra a proibição de partidos políticos, independentemente da ideologia que perfilhem. Um regime democrático, quando entra no campo da proibição de partidos ou movimentos políticos, está a abrir um perigoso precedente, que o vai levar a perder autoridade moral e legitimidade. 

Que fique claro que eu sou plenamente a favor de Renata Cambra continuar a ter liberdade para dizer todas as asneiras que quiser e fundar os partidos que desejar. Por mim, ela pode defender Trotsky, Estaline ou até Pol Pot. Mas também considero que Mário Machado é, de facto, um prisioneiro político que está neste momento privado da sua liberdade, apenas por ter escrito uma opinião numa rede social. Mário Machado deve ter a mesma Liberdade que Renata Cambra, para defender as suas opiniões e fundar os partidos que quiser. 

A nossa sociedade precisa desesperadamente de ler Voltaire e de perceber, de uma vez por todas, que a definição de democracia e de Liberdade de expressão, é precisamente o direito de alguém dizer algo com o qual nós não concordamos, mas mesmo assim, defendermos o direito dessa pessoa a ter a sua opinião. A Liberdade de expressão é uma coisa muito incómoda para muita gente em Portugal, principalmente, para os partidos e forças políticas que, desde 1974, julgam ser os "donos da democracia". 

Não é proibindo, perseguindo, censurando e prendendo pessoas por emitirem simples opiniões, por mais descabidas que as possamos considerar, que vamos criar um País melhor. Tenho a certeza absoluta, de que se Mário Machado, ao invés de ser um militante neonazi, fosse um militante de um qualquer grupelho ou partido de extrema-esquerda, ele não estaria neste momento na prisão, a cumprir pena por escrever sete palavras numa rede social. Isto, só por si, diz muito sobre a "qualidade" da nossa democracia canhota e deveria ser motivo de grave preocupação. 

Sem comentários:

Enviar um comentário