sábado, 10 de outubro de 2026

A esquerda revolucionária, o jihadismo e a grande guerra civil que se prepara na Europa...


 
Já não é novo o "namorisco" entre a esquerda e o Islão. Em 1972 e no rescaldo da "década de todas as revoluções" que foram os anos 1960, o historiador marxista, Maxime Rodinson, até publicou a obra Marxism and the Muslim World, que nos pintava um retrato idílico e a meu ver, bastante ingénuo sobre o Mundo Islâmico e a sua potencial adesão futura à doutrina marxista. 

Rodinson, como marxista que é, possui do ponto de vista dialético uma concepção da hisória, que é essencialmente hegeliana e materialista. O resultado é uma análise ideologicamente enviesada, que não tem em devida conta o peso e a força das questões identitárias, religiosas e culturais que permeiam o Mundo Islâmico. Este lapso presente na análise marxista, palpável na obra de Rodinson e que continua a infectar a esquerda em linhas gerais até hoje, é o que impede as forças políticas à esquerda, de perceberem o perigo que está dentro da "caixa de pandora" que esta abriu no Ocidente nas últimas décadas, com o apoio ao jihadismo radical e às políticas de imigração islâmica maciça e descontrolada, para dentro da Europa Ocidental. 

A esquerda, em termos puramente estratégicos, está convencida de que vão ser as massas de imigrantes oriundas do Mundo Islâmico, que vão fazer "a revolução" na Europa e que finalmente, vai ser assim que vamos todos passar a viver na tão sonhada utopia comunista. Isto, obviamente, é puro delírio e é um erro crasso que resulta directamernte da visão limitada do Mundo, que a dialética marxista tem. As ideologias são, regra geral, simplificações da realidade. O Marxismo tem falhado historicamente, em grande medida, porque a simplificação da realidade empírica proposta pela doutrina marxista, não consegue atender às complexidades e dinâmicas do Mundo em constante mudança e evolução. O Marxismo e o Socialismo ideológico em linhas gerais, nunca tiveram em conta o poder da religião e da fé na sua devida proporção. Para a esquerda revolucionária ortodoxa, a religião é "o ópio do povo" e esta é vista como um alvo a abater. Esta desconsideração histórica pela religião, que está intimamente ligada à cultura de todas as grandes Civilizações, é uma falha que tem impedido largamente a esquerda de perceber o risco que corre ao dar a mão a forças jihadistas. 

Se querem um bom exemplo de onde eu pretendo chegar, posso dar-vos o exemplo da Revolução Islâmica no Irão em 1979. É um facto bem conhecido que muitos grupos comunistas e de esquerda apoiaram a Revolução Iraniana na sua fase inicial, vendo o movimento liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, como sendo uma luta anti-imperialista contra o Xá Mohammad Reza Pahlavi e a influência do Imperialismo Americano no Irão e no Médio Oriente em geral. A esquerda, de forma maciça, apoiou em 1979 a Revolução Islâmica no Irão e sabem o que é que aconteceu a essa mesma esquerda e aos comunistas, assim que o regime islâmico no Irão se consolidou?... Pois é... a coisa parece que não correu muito bem... O Partido Tudeh, que era na prática o Partido Comunista do Irão, acabou ilegalizado em 1982 e muitos dos seus membros foram presos, executados ou tiveram de fugir para o exílio. Outras organizações de esquerda, como a Organização dos Guerrilheiros do Fedai do Povo (OIPFG), que também alinhou com a Revolução Islâmica, acabou trucidada por esta e banida. Isto que aconteceu no Irão, é aquilo que vai acontecer à esquerda na Europa, se o jihadismo tomar o poder. Que não haja a menor dúvida sobre isto.

O modelo teocrático proposto pelo Islamismo é incompatível com qualquer modelo político-social proposto pela esquerda revolucionária. O historiador Rui Ramos, nem a propósito, publicou recentemente um excelente artigo no Observador, que versa precisamente sobre este tema e que merece uma leitura atenta:

«Os noticiários dizem que os estudantes franceses saíram à rua para exigir mais despesa em educação. Mas estes estudantes, que querem mais meios para o ensino, incendeiam as escolas. Queixam-se da falta de professores, mas agridem e regam com gasolina aqueles que apanham. São franceses, mas marcham sob as bandeiras da Palestina e da Argélia. Nos seus ajuntamentos, escutam e aplaudem os deputados e vereadores da extrema-esquerda. Entretanto, já atacaram esquadras e feriram mais de 700 polícias.

[...]

A extrema-esquerda no Ocidente assenta agora numa parceria entre activistas estudantis intoxicados pelo professorado esquerdista, e fundamentalistas islâmicos. O islamismo radical aproveitou a incapacidade de integração do Ocidente, tolhido pela auto-abjecção wokista, para transformar os migrantes muçulmanos num bloco de votos de cabresto à antiga. Por enquanto, os jihadistas preferem usar a extrema-esquerda como barriga de aluguer política. Eis como Die Linke na Alemanha, o Green Party na Inglaterra, ou La France Insoumise elegem deputados e vereadores. Foi para consolidar essa aliança que a extrema-esquerda fez de Gaza a sua grande causa, e do anti-semitismo a sua filosofia.

Em França, Mélenchon parece ter concluído que o jihadismo, ao pôr à sua disposição os jovens da imigração dos subúrbios para juntar nas ruas aos estudantes e aos “casseurs” esquerdistas, lhe deu mais um recurso: a “intifada”. Para quê? Nas presidenciais de 2027, Mélenchon gostaria de ir a uma segunda volta com Marine Le Pen. Perdesse ou ganhasse, submeteria toda a esquerda à sua liderança. Não poderá então o actual ensaio de violência emprestar-lhe fama de desordeiro e prejudicá-lo? Não necessariamente. Dá-lhe apenas outra opção. Imaginemos, por exemplo, que Le Pen é eleita. Mélenchon lança a intifada, e das duas, uma: ou uma presidente Le Pen recorre à força para conter a insurreição, e Mélenchon denuncia o “fascismo” e exige às elites francesas que provem ser “democratas” juntando-se à sua “luta”; ou Le Pen cede, exibe a mesma fraqueza de todos os governos franceses dos últimos 30 anos, e desacredita-se junto dos seus eleitores, que esperam ordem, e dos investidores e credores do Estado, que esperam reformas. Sem o consentimento de Mélenchon, dono da rua, ninguém poderia governar em França.

Se é esse o plano, não é mal pensado. A associação com o radicalismo islâmico, em regiões de grande migração muçulmana, deu à extrema-esquerda uma força como nunca teve desde os anos 1970. Podia servir-lhe só para eleger presidentes de câmara, como em Berlim ou Nova Iorque. Mas para estes revolucionários, a violência foi sempre a maneira mais coerente de fazer política, e a Mélenchon, talvez a insurreição pareça a melhor jogada. A questão é saber se a restante esquerda e as elites bem-pensantes em geral se deixarão liderar por gente como Mélenchon a pretexto do “antifascismo”. Há anos que à oligarquia europeia só interessa ver perigos à direita, entre aqueles que contestam as suas políticas de estagnação económica, caos migratório e desmantelamento da cultura nacional. Por isso, nem deu pela emergência desta extrema-esquerda com motor jihadista. Vai perceber agora? E, percebendo, vai resistir?»

É portanto, mais do que claro que a França está agora mergulhada num caos que pode muito bem ser apenas o início de algo bem pior e muito mais sinistro. Muitos avisaram sobre isto ao longo de décadas e foram ignorados e insultados por terem alertado para o desastre a que a importação maciça de imigrantes islâmicos iria conduzir a Europa. Agora o resultado está à vista e a esquerda transformou-se na "quinta-coluna" interna, que está alegremente a cavar a sua sepultura às mãos do Islamismo, tanto em França, como no resto da Europa Ocidental.  

Ao contrário do que alguns pensam, não há paralelos entre o Maio de 68 e o que se está a passar agora em França. Aliás, o Maio de 68 é mais outra história que está muito mal explicada e que foi transformada numa "fábula" romântica pela esquerda e os anarquistas. A verdade que poucos conhecem é que em 1968, os protestos foram apoiados de forma dissimulada pelos EUA, que tinham como objectivo estratégico a remoção do General De Gaulle do poder. Os americanos nunca gostaram de De Gaulle, que viam como um claro entrave ao poder e à agenda imperialista dos EUA na Europa. O Maio de 68 não passou, portanto, de uma revolta preparada nos bastidores pela CIA, que queria arrancar De Gaulle do poder. A esquerda do Maio de 68 bem que pode dizer que estava a lutar "contra o sistema" e o Imperialismo, mas o facto é que ao atacarem De Gaulle e o seu governo, estavam exactamente a fazer aquilo que os EUA queriam... É preciso não esquecer que em 1966, tinha sido o General De Gaulle a remover a França da NATO. Os EUA, obviamente, nunca lhe perdoaram isto e o "troco" foi dado dois anos depois, na forma da crise provocada pelo Maio de 1968. De Gaulle, que era essencialmente um soberanista de direita e um nacionalista, foi talvez o último grande estadista europeu a resistir ao assalto lançado pelo Imperialismo Americano na Europa, que criou a NATO, não para defender a Europa, mas sim, principalmente, para servir de "porta giratória" à colocação de armamento e tropas americanas em solo europeu, transformando na prática os países-membros da NATO, em vassalos e colónias do Império de Washington. 

É muito provável que a França entre em guerra civil a médio/longo prazo e eu suspeito fortemente, que essa guerra civil vai ser provocada, de forma dissimulada, precisamente pelos EUA, que precisam urgentemente de uma guerra na Europa, de forma a salvar a sua economia e o dólar. O plano inicial da elite globalista era o de dominar a Rússia, desmantelando a mesma após a queda planeada de Putin e foi por isso que provocaram a Guerra na Ucrânia em 2022, porém, já se tornou evidente que a Rússia é um "osso duro de roer" e que portanto, não vai ser possível quebrar Moscovo. Resta portanto agora criar o caos na Europa, provocando uma guerra entre esta e a Rússia, ou como parece cada vez mais provável e num cenário alternativo, provocando artificialmente uma guerra civil na Europa, ao estilo da Síria, que foi na última década o "testing ground" para aquilo que potencialmente está para vir.  

Não tenham a menor dúvida de que aquilo que vimos na Síria desde 2011, pode muito bem repetir-se na Europa... estima-se que já "desapareceram" mais de um bilião de dólares em armas, que foram entregues à Ucrânia e que ninguém sabe onde param. O próprio Pentágono admite que "perdeu o rasto" das armas. Ora, eu digo que isto é mentira. O Pentágono e a CIA sabem onde estão as armas e a situação é bem sinistra, passo a explicar: A minha suspeita é de que estas armas que "sumiram", estão na realidade a ser guardadas algures e que quando chegar a hora certa, a CIA vai entregar as mesmas a determinados grupos jihadistas, que vão surgir "do nada" na Europa e que vão começar a matar e a destruir. Foi precisamente isto que os americanos em aliança com Israel, fizeram na Síria e no Médio Oriente com o Estado Islâmico e a Al Qaeda, que foram desde o início secretamente apoiados por Washington e Telavive. Nada disto é "teoria da conspiração" e as provas de tudo estão até já no domínio público graças à Wikileaks de Julian Assange, que passou anos de tortura e prisão às mãos do Império Anglo-Sionista, por ter revelado todos estes factos e muito mais. Isto, que já foi publicado pela Opera Mundi em 2014 e que deixo aqui em jeito de conclusão, é algo que todos devem de ler atentamente, para perceberem bem o que o "nosso amigo" americano fez no Médio Oriente e vai, com toda a probabilidade, tentar repetir na Europa nos próximos anos:

«Os Estados Unidos se recusaram a ajudar o governo da Síria a combater grupos radicais islâmicos como a Al-Qaeda e o ISIS (Exército Islâmico do Iraque e da Síria, que recentemente mudou de nome para Estado Islâmico). Além disso, segundo revelações feitas pelo site Wikileaks, o governo norte-americano armou grupos como o ISIS. Os quase 3 mil documentos sobre essa questão foram vazados pelo site dirigido por Julian Assange na última sexta-feira (08/08).

[...]

No entanto, apesar de afirmarem cooperar com a Síria para combater o terrorismo, os EUA também trabalharam para armar os opositores sírios e isso causaria um problema maior na região: a criação do atual Estado Islâmico. Segundo documentos obtidos pelo jornal britânico Guardian, grande parte do armamento utilizado pelo ISIS (antigo nome do Estado Islâmico) veio de grupos armados pelos EUA e cooptados por Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Califado Islâmico, que hoje controla territórios na Síria e no Iraque.

[...]

O armamento começou a ser enviado para os opositores sírios em setembro de 2013. Na época, analistas davam o ISIS como terminado e a alegação para fortalecer esses grupos era a de que o governo Assad havia usado armas químicas. Para enviar as armas, o governo Obama usou bases clandestinas na Jordânia e na Turquia. Aliados dos EUA na região, como Arábia Saudita e Catar, também forneceram ajuda financeira e militar.

Ironicamente, os EUA sabem inclusive a real identidade do líder do Califado. Durante um ataque à cidade iraquiana de Falluja em 2004, os norte-americanos prenderam alguns dos militantes pelos quais procuravam. Entre eles, estava um homem de 30 e poucos anos e pouco importante na organização: Ibrahim Awad Ibrahim al-Badry. 10 anos depois, ele se tornaria líder da mais radical insurgência islâmica contra o Ocidente, segundo informações de um oficial do Pentágono.»

3 comentários:

  1. 🔥 COMENTADOR DEIXA AVISO À ESQUERDA PORTUGUESA!! 🔥
    https://www.youtube.com/watch?v=FSF96DsHjRw

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  2. Paris is Out of Control:
    https://www.youtube.com/watch?v=kX7XjoS-Fbk

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  3. Protestos em França: «Não passam de terroristas urbanos»
    https://www.youtube.com/watch?v=sC9BHXTksWA

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