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O historiador Rui Ramos, ontem no Observador foi directo ao ponto:
«Em Portugal, PCP e BE tentaram importar a insurreição francesa, embora a pretexto do tema espanhol da habitação. Faltam-lhes os subúrbios jihadistas de França, e por isso tiveram de poupar na violência. De resto, seguiram a velha receita leninista de criar um poder paralelo. Vimos assim os sovietes montados nas praças a exigir serem reconhecidos como pares e interlocutores de câmaras municipais democraticamente eleitas. Como se uma tenda no Rossio valesse tanto ou mais do que um voto.
Não terá sido um grande sucesso, mas serviu para constatar uma coisa: o desarmamento intelectual e político do regime. A imprensa, com poucas excepções, adoptou sem cuidado a linguagem dos activistas. Chamou “assembleia popular” às poucas centenas de profissionais de todas as manifestações, e tratou como genuína a preocupação pelo “direito à habitação” de quem, para defender esse direito, ergue bandeiras da Palestina. Rapidamente, a reportagem, a notícia e o comentário se focaram na acção policial, deixando-se encaixar na táctica destas movimentações, que é provocar a polícia e suscitar o que possa ser depois apresentado como “repressão” e motivo de mais revolta.
A polícia fez o que lhe competia num Estado de direito, mas os políticos não. A escassez e carestia da habitação nas maiores cidades sente-se desde a geringonça. Nesse tempo, porém, com PS, PCP e BE no poder, não era problema: é agora apenas porque já não são eles que lá estão. O PS, sem vergonha, fingiu ouvir a “voz do povo” no Rossio e atribuiu todas as dificuldades aos dois anos de “governação da direita”. À direita, ninguém mostrou capacidade para não se deixar condicionar. A gente do governo, cheia de medo de parecer socialmente “insensível” ou “fascista”, enalteceu a justeza da “causa”, e homenageou o “direito à manifestação”. O presidente da câmara de Lisboa declarou “solidariedade total” com os manifestantes; o do Porto dispôs-se a recebê-los. Apenas lhes pediram o favor de não acamparem. O Chega vacilou sobre a “lei das rendas”, parecendo mais uma vez, como na reforma laboral, confundir a opinião pública com as convulsões de rua da extrema-esquerda. A Iniciativa Liberal resolveu fazer de presidente da república e convidar os partidos para uma reunião. Todos pareceram muito inseguros. Já não confiam nas suas próprias ideias? Já não sentem que a democracia lhes dê autoridade?»
Tal como eu escrevi há dias, as manifestações que estão a ocorrer agora contra a crise de habitação em Portugal, nada têm de espontâneo ou de "orgânico". Pelo contrário, isto é tudo uma manobra política orquestrada nos bastidores pela esquerda radical , que está completamente desesperada face às sondagens arrasadoras e às derrotas eleitorais sucessivas, que estão a sofrer há vários anos, tanto em Portugal, como um pouco por toda a Europa.
O que eu tenho a dizer, essencialmente, sobre tudo isto, é que considero que não é no Rossio que devem de andar a fazer "acampadas", a cometer actos de vandalismo e a colar cartazes, mas sim, em frente às sedes do PS, PSD, CDS-PP, PCP, BE e do Grande Oriente Lusitano, que são os principais responsáveis por termos chegado a este ponto em Portugal.
O povo português decidiu passar os últimos 52 anos a eleger e a dar legitimidade a traidores à Pátria, oportunistas, vendidos, demagogos, vigaristas, mentirosos, bandalhos, corruptos, tarados, pedófilos, incompetentes, borregos e ignorantes. Foi este o tipo de tralha, em linhas gerais, que escolheram para nos governar colectivamente e para gerir o nosso destino comum ao longo das últimas cinco décadas. Agora bem que podem "limpar as mãos à parede", que o mal já está feito e vai levar décadas a reverter, se é que isto ainda tem reversão possível...
E se ainda não perceberam porque é que estamos como estamos e como é que chegámos ao que chegámos, então leiam a obra 25 de Abril: Episódio do Projecto Global , de Fernando Pacheco de Amorim, que foi publicada em 1996. Deixo aqui este excerto da obra, que nos elucida bem sobre os verdadeiros motivos e a sinistra conspiração internacional - urdida tanto por soviéticos, como por americanos - que esteve por detrás da derrocada monumental de Portugal, nos idos de 74-75:
«O
Senhor Dr. Freire Antunes, muito recentemente, em artigo publicado no
jornal Diário de Notícias, diz-nos que, segundo René Pélissier,
investigador da História Angolana, "a UPA não tinha, em 1961, uma
estratégia nacional, mas uma estratégia meramente tribal para os povos
de Bacong e Dembos".
Não nos diz o Senhor Dr. Antunes, nem o Senhor
Pélissier, quem financiou este grupo terrorista, mas sabem, com certeza,
que foi especialmente a Fundação Ford sob o alto patrocínio dessa
sinistra figura que foi a Senhora Eleanora Roosevelt, a mulher do
Presidente que entregou metade da Europa ao goulag soviético.
A
partir de todos estes auxílios e após muitos anos de luta armada sem
conseguirem os seus objectivos - os grupos terroristas estavam na
iminência de depor as armas - compreenderam que só com uma acção em
Lisboa, conseguiriam alcançá-los.
A dificuldade, porém, com que
tinham deparado, noutras tentativas fracassadas, era a de não terem
encontrado, nem terem conseguido promover, um descontentamento, que é
sempre o ponto de partida para qualquer acção de subversão política.
Tinham tentado criá-lo, várias vezes, ao longo de anos, mas sem êxito. O
aproveitamento do descontentamento entre os oficiais veio dar-lhes a
oportunidade de, a partir dele, conseguirem em Lisboa o que não tinham
conseguido com o terrorismo no Ultramar.
[...] As Forças Armadas, por
outro lado, estavam na sua quase totalidade, nos territórios
ultramarinos. Na Metrópole estavam sobretudo generais na Reserva,
oficiais instrutores e recrutas.
Vejamos o que nos diz um órgão da imprensa estrangeira, sobre esta franja não operacional das Forças Armadas.
"Resta
apenas o problema da NATO: Spínola promove o contacto com o próprio
Secretário da Nato, Joseph Luns, [através] de um dos seus amigos da
Finança - o Director dos Estaleiros Navais Portugueses, Lisnave,
Thorsten Anderson - que participa em Megève, França (de 19 a 21 de
Abril) numa misteriosa reunião de importantes homens da política, da
diplomacia e do mundo dos negócios internacionais reunidos num
igualmente misterioso clube: o Clube de Bilderberg.
De 19 a 21 de
Abril, Megève é zona vigiada pela polícia francesa como se o visitante
fosse um Chefe de Estado. De facto, no Hotel Mont Arbois, propriedade de
Edmond Rothschild, reúne-se a flor e a nata da política e das Finanças
ocidentais. A reunião é discreta, à porta fechada: os jornalistas não
falarão dela; mas é ali que será decidido o destino do mundo ocidental.
Desde 1954, e do dia da primeira reunião no Hotel Bilderberg, na cidade
holandesa de Oosterbeek, sob a presidência do Príncipe Bernardo da
Holanda, que os homens mais influentes do Ocidente se reúnem anualmente
para estudar a situação 'política e financeira e estudar ou aprovar
programas para o futuro'.
Bastam os nomes dos participantes daquele
ano na reunião do Clube para que possa compreender-se a sua importância.
São os seguintes: Nelson Rockefeller, Governador do Estado de Nova
York; Frederick Dant, Secretário Norte-Americano do Comércio; General
Andrew Goodpaster, Comandante das Forças Aliadas na Europa; Denis
Healey, Ministro da Fazenda inglês; Joseph Luns, Secretário Geral da
NATO; Richard Foren, Presidente da General Electric na Europa; Helmut
Schmidt, Ministro da Fazenda alemão, actualmente chanceler, após a
demissão de Brandt; Franz Joseph Strauss, definido como homem de
negócios alemão; Joseph Abs, Presidente do Deutsche Bank; Guido Carli,
Governador do Banco de Itália; Giovanni Agnelli, Presidente da Fiat;
Eugénio Cefis, Presidente da Montedison e além destes Thorsten Anderson,
homem de negócios português que sonda Joseph Luns sobre as possíveis
reacções da NATO perante a possível mudança de regime em Lisboa.
[...] Tive conhecimento, em
Madrid, através de um oficial que na altura prestava serviço no Quartel
do Carmo, que o Prof. Marcello Caetano, logo que entrou, se dirigiu ao
Gabinete do Comandante, que ocupou, dando ordens terminantes para que,
em circunstância alguma, o interrompessem, tendo fechado a porta à
chave. Esteve horas ali dentro, sem contactar com os ministros que o
tinham acompanhado, até ao momento em que o General Spínola chegou ao
quartel para o proteger de arruaceiros a soldo, que na rua o ameaçavam.
Abandonam os nossos e acolhem os outros:
ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=u6jL_-9Irx0
«25 de Abril»: a Fatal Derrocada (i):
ResponderEliminarhttps://liceu-aristotelico.blogspot.com/2015/10/25-de-abril-fatal-derrocada-i.html