sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Henrique Neto: «António Costa criou uma elite de “aparachiques”»


Uma das coisas que eu mais gosto de explorar e tentar perceber, são as causas do atraso estrutural de Portugal e o porquê de hoje, sermos o País que somos, sempre com o futuro eternamente adiado e a viver numa pobreza envergonhada e disfarçada, que nos coloca há muitas décadas na posição de País mais pobre da Europa ocidental. 

Nem a propósito, na minha eterna busca por mais informação, encontrei ontem um artigo interessante da autoria de Henrique Neto, que descreve bem aquilo que têm sido os desastres da política do PS em termos de economia, desde há várias décadas a esta parte. Há uma crença quase sobrenatural, nas hostes socialistas, de que é possível redistribuir dinheiro sem criar riqueza. A verdade, porém, é que não existem, nem nunca existiram "almoços grátis", pois alguém tem de pagar sempre a factura, independentemente daquilo que a propaganda reze. 

António Costa, que está agora em Bruxelas a auferir um chorudo salário de 38 mil euros, é um completo ignorante no que a economia diz respeito e tal como escreve Henrique Neto, este sujeito foi sem a menor dúvida «a causa recente do nosso atraso». Nada disto me surpreende, pois os socialistas sempre foram uns completos "nabos" que levam à falência tudo aquilo em que tocam, sendo que pouco ou nada produzem. O Socialismo é uma ideologia toda ela baseada na premissa da redistribuição e não na da produção. A obra que o PS tem para mostrar é a prova disto mesmo. Nunca houve, nem há da parte do Partido Socialista, um plano para desenvolver industrialmente o País, nem para melhorar o sistema de ensino, de forma a que este atinja o nível de qualidade necessária, para a produção dos engenheiros, físicos, químicos, cientistas, informáticos e técnicos que precisamos de ter, de forma a conseguirmos obter alguma pujança industrial, exportar mais e gerar riqueza real.

A estupidez chapada desta esquerda, chega ao ponto de há não muito tempo atrás, eu ter ouvido Raquel Varela a dizer que o sistema de ensino não deve ser para preparar gente para o mercado de trabalho. Ora, eu pergunto, se o sistema de ensino não é para preparar pessoas para o mercado de trabalho, então para que raio serve o sistema de ensino?!! 

O Estado Novo investiu no desenvolvimento do ensino técnico-industrial e comercial em Portugal, esta foi até uma das melhores heranças do antigo regime e o que fez o PS e os seus compagnons de route, assim que tomaram o poder na década de 1970? Ora essa, decidiram dinamitar por completo o ensino profissional que tínhamos em Portugal e que se estava a desenvolver com grande qualidade, substituindo o mesmo por um sistema de educação nacional massificado, que está todo ele orientado apenas para criar estatísticas e ilusões com base no facilitismo. Não para realmente ensinar e criar os quadros necessários ao desenvolvimento do País. 

A prostituição nacional promovida pelo PS, mas também pelo PSD em muitas ocasiões, através do desmantelamento da soberania de Portugal em troca de subsídios e "bazucas" monetárias de Bruxelas e do FMI, coloca seriamente em causa a nossa independência e a continuidade histórica do povo português.

O que a política do PS ao longo dos últimos 52 anos demonstra, é a total irresponsabilidade, falta de noção, ignorância e a inexistência de qualquer plano de longo prazo para o País. O que isto significa, traduzido em termos simples, é que se a União Europeia nos próximos anos ou décadas se dissolver ou reduzir significativamente, como parece cada vez mais provável, Portugal ficará automaticamente numa posição de vulnerabilidade total, pois abdicou da sua soberania, não tem moeda própria, não controla as suas fronteiras e em termos económicos, tem uma economia demasiado fraca para poder sustentar o actual despesismo do Estado, sem o apoio dos fundos da UE. Somos um País tecnicamente falido, que vive muito acima das suas possibilidades reais, mas ninguém quer admitir isto... 

Para piorar tudo, contra todos os avisos dos "velhos do Restelo" e dos "fascistas", os padroeiros da Terceira República tiveram a criminosa ideia de nos idos de 74-75 desmantelarem o Império, em lugar de o transformarem numa Federação de Estados Portugueses, que era aquilo que o General António de Spínola propunha e que, para além de ser perfeitamente exequível, era o mais lógico e correcto a fazer, até mesmo do ponto de vista de uma perspectiva humanista. A opção que acabou por vencer, liderada pela esquerda lunática da época, que estava ao serviço dos interesses da URSS e da China, foi a de ir em frente com a "descolonização exemplar", entregando nas mãos de grupos terroristas como o MPLA, a vida de milhões de cidadãos portugueses, negros e brancos, que nunca votaram ou escolheram no sentido de ter tal destino. A verdade tem que ser dita e a verdade é que isto consistiu na maior e mais vergonhosa traição à Pátria da história da Nação Lusa e é algo que no longo prazo vamos ainda todos pagar colectivamente "ao cubo e com língua de palmo"... deixem só a UE estoirar e depois vão perceber... 

Fiquem aqui com o artigo de Henrique Neto, publicado em 2022 no semanário O Diabo e que expõe perfeitamente, as borradas do PS que estamos todos a pagar e as mentiras de António Costa, que só serviu para nos desgraçar ainda mais. Foram estas as políticas de esquerda de mentalidade castrada, dogmática e de vistas curtas, que nos atrasaram sistematicamente nos últimos 52 anos. Não se iludam, José Luís Carneiro e Luís Montenegro são apenas a continuação desta tragédia:

«A vitória de António Costa por maioria absoluta nas últimas eleições teve origens conjunturais e terá efeitos muito negativos no progresso e desenvolvimento de Portugal no contexto dos países da União Europeia. Nos próximos quatro anos, Portugal continuará a sua evolução descendente dos últimos seis, não tenho dúvida, e estou pronto a debater esta previsão com qualquer pessoa que o queira fazer.

A razão principal para a previsão reside em António Costa, ele próprio, porque tendo errado no desenvolvimento do país nos últimos seis anos, vai certamente errar nos próximos quatro e as suas desculpas com a pandemia e com a guerra são falsas, porque todos os outros países tiveram de enfrentar a mesma pandemia e a mesma guerra com melhores resultados.

António Costa é a pessoa errada para dirigir Portugal na actual conjuntura e a razão principal estará, porventura, na sua formação. Foi criado no seio de uma família com fortes convicções de esquerda e, não sendo comunista, absorveu muitos dos mitos do comunismo, a mesma fé nas soluções sociais e a mesma ignorância sobre as mais que estudadas regras do desenvolvimento económico. A sua preferência pelo Partido Comunista nos últimos seis anos é o resultado dessa sua formação, como o é a sua arrogância muito comunista com a direita e em particular com o PSD. Certamente também com o seu anterior amigo Rui Rio, a quem recentemente recordou, com notável crueldade, que vai ficar a governar por mais quatro anos, enquanto Rio…

Cavaco Silva errou recentemente ao eleger a falta de coragem da governação de António Costa, porque o problema do primeiro-ministro não é a sua falta de coragem, mas a sua ignorância económica, a sua falta de seriedade intelectual e de racionalidade organizativa. Tal como o Partido Comunista, António Costa acredita nas manhãs que cantam e no mesmo determinismo histórico, ou seja, nos bons efeitos sem causas. Acredita ainda nos fundos comunitários que estão a ditar a sua sobrevivência política.

Tal como nos regimes comunistas, António Costa criou uma elite de “aparachiques” semelhantes e copiou, provavelmente sem a plena consciência do facto, a mesma relação entre as grandes vitórias obtidas e a realidade. Claro que a violência dos regimes comunistas, ou afiliados, não faz parte da nossa cultura e dos bons costumes portugueses, todavia existe a mesma capacidade de sofrimento e o mesmo conformismo que permitiu a longevidade do regime soviético. 

É evidente que o PS é um partido democrático que esteve na linha da frente da luta pela democracia em Portugal, mas a relação entre o PS de Mário Soares e o PS de António Costa é hoje uma lenda, de que apenas resta o símbolo soarista na pessoa do deputado Sérgio Sousa Pinto, eleito para o efeito. Dito isto, não acredito que o PS possa constituir um perigo para a continuidade da defeituosa democracia portuguesa, limita-se apenas a não tirar partido das virtualidades das verdadeiras democracias liberais.

Entretanto, António Costa tem naturalmente qualidades óbvias, algumas herdadas da sua formação, como a sensibilidade social, a sua preocupação, que reputo sincera, com os mais desfavorecidos, uma certa determinação na conquista dos seus objectivos e mesmo alguma capacidade de liderança. Todavia, falta-lhe completamente a visão que determina a acção dos grandes líderes, o conhecimento da economia e das diferentes formas de criação de riqueza e a cultura empresarial é para ele suspeita, bem como inexistente a capacidade de analisar e compreender o sucesso dos outros países. Aliás, já no ano 2000, quando indiquei aos socialistas o exemplo da Irlanda, a incompreensão foi geral e a aprendizagem nula.

Recentemente, António Costa, depois de muitos meses a ser pressionado pelo facto de outros países europeus nos estarem a passar à frente, lá sentiu a necessidade de uma explicação: as causas seriam a educação e a geografia, dado que esses países estão próximos da Alemanha, uma verdade e um provincianismo na mesma resposta. É verdade que o melhor nível educativo desses países está na origem do seu sucesso económico, mas seria preciso completar a afirmação com a convicção de um determinado modelo educativo, que não seja o do facilitismo português, acompanhado da explicação sobre as causas do “grande sucesso” da educação em Portugal depois do 25 de Abril não ter conduzido aos mesmos resultados. Já lá vai meio século e é necessária essa explicação.

Quanto à geografia, é só ignorância ou efabulação, ou as duas coisas juntas. Será que António Costa não sabe que hoje vivemos numa economia global e que Portugal possui uma das melhores localizações do planeta nas rotas do Atlântico, entre os dois maiores mercados mundiais da Europa e da América do Norte e com uma logística marítima sem rival? Será que a dimensão económica do seu pensamento parou na Alemanha? E será que não sabe que estamos a perder alguns bons investimentos internacionais para a Espanha, apenas porque não temos uma ligação ferroviária para as fábricas da Alemanha na Europa? Ou não sabe prever que, mais tarde ou mais cedo, perderemos a “AutoEuropa” pelo mesmo motivo?

A ignorância e a insensibilidade económica de António Costa levaram-no a acreditar no pensamento mais ou menos delirante do seu novo ministro da Economia. Todavia sem compreender que esse pensamento entra em rota de colisão com a cultura minimalista, ambientalista e não industrialista hoje existente no PS. Ninguém no PS passou pela indústria, nem mesmo o seu ministro da Economia, para perceberem que apenas a educação e a industrialização poderão parar este longo ciclo de empobrecimento do país. 

Uma das razões porque vaticino o insucesso de António Costa nos próximos quatro anos reside no facto do Plano de Restruturação e Resiliência (PRR) disparar em todos os sentidos, sem efeitos permanentes no processo de crescimento e desenvolvimento da nossa economia. Será sempre o resultado dos aprendizes de feiticeiro que lhes estiveram na origem. Talvez que o exemplo mais delirante seja Portugal a transportar hidrogénio para toda a Europa, mas outros exemplos não faltam. ■»

Sem comentários:

Enviar um comentário