quarta-feira, 21 de outubro de 2026

As "acampadas" e o estertor da morte da esquerda radical

 

Anda por aí um movimento de profunda indignação em relação aos preços das casas em Portugal. É legitimo. As pessoas têm o direito a estar indignadas com o estado a que isto chegou neste "jardim à beira-mar plantado", onde o valor por metro quadrado da habitação, é hoje superior ao que é praticado em Berlim, Madrid ou Milão.

Escusado será dizer que não é admissível que num País onde o salário mínimo são uns míseros 920 euros brutos, a habitação esteja aos valores a que está. A situação a que chegámos é escabrosa, obscena, criminosa e revela apenas, mais uma vez, a total irresponsabilidade, incompetência e falta de preparação da classe política que nos governou ao longo das últimas décadas. 

É que isto não aconteceu ao acaso, nem por acidente, bem pelo contrário, a actual crise de habitação em Portugal é o resultado de décadas de más políticas e más decisões, que resultaram na tragédia que agora está à vista de todos e que está a massacrar as novas gerações, que se vêem impossibilitadas de ter um futuro com dignidade e constituir família, tudo isto num País em que a natalidade já é das mais baixas do Mundo. 

As causas da crise de habitação são várias e todos os partidos do "arco do poder" têm as mãos sujas, sendo que não há aqui inocentes. Tão culpada é a direita liberal que patrocinou vistos gold e a especulação imobiliária selvagem, como a esquerda que abriu as portas à insanidade da imigração descontrolada. Pelo meio, podemos somar a isto um País atolado em Planos Directores Municipais anacrónicos e completamente desfasados da realidade, que só atrasam o desenvolvimento do País. 

A incapacidade dos partidos do regime em industrializarem efectivamente o País nas últimas décadas, é outra grande responsável indirecta pela crise de habitação. Portugal é o País mais pobre da Europa Ocidental e não consegue escapar, nem vai conseguir escapar a esta maldição, enquanto não se desenvolver a sério em termos de indústria, pois apenas isso é que produz verdadeira riqueza. Se olharmos para os países mais desenvolvidos e/ou em desenvolvimento no Mundo, constatamos que apenas a indústria e principalmente, a indústria de alta tecnologia e de produção de maquinaria de todo o tipo, é que realmente traz prosperidade e desenvolvimento sem paralelo. Não é o turismo, nem o sector dos serviços, nem sequer a agricultura ou a pesca. Estes sectores são complementos importantes para a economia, quando devidamente explorados, todavia, a indústria deve ser sempre a principal aposta e prioridade. 

Ora, em Portugal e desde 1974, nunca houve uma política de industrialização do País pensada a longo prazo, para os próximos 20, 30 ou 50 anos, como deve ser. O que temos tido, ao invés, são políticas de "vistas curtas", pensadas apenas para os próximos 4 ou 5 anos, de forma a que os partidos possam ganhar o próximo ciclo eleitoral e mais nada. Este é um dos maiores problemas do modelo da democracia dos partidos, como o que temos em Portugal, ou seja, o de se cair naturalmente na tentação de servir apenas os interesses do partido A, B ou C e não os interesses reais e efectivos do País, que só podem ser devidamente defendidos, com políticas pensadas a longo e muito longo prazo. Claro que esta "brincadeira", vai necessariamente terminar no dia em que acabarem os fundos da UE, que é o que tem sustentado todo o circo da Terceira República ao longo dos últimos 52 anos... depois não sei, talvez a situação acabe com outro 28 de Maio de 1926, que coloque fim à República das Bananas em que nos transformámos...

Não me espanta, portanto, os protestos, o que me espanta, isso sim, é o facto de a esquerda representada pelo PCP e o BE, aparentemente, só ter acordado agora para isto, conforme noticia o Observador:

«[...]

O Observador foi olhar para a liderança dos principais movimentos pelo direito à habitação e — entre muitas plataformas inorgânicas, estruturas horizontais e organizações mais ou menos organizadas — é possível verificar que os protagonistas são, de facto, militantes, dirigentes ou antigos candidatos de Bloco de Esquerda e PCP. Apesar de a esmagadora maioria dos movimentos não divulgar nos respetivos sites a composição dos órgãos sociais ou a composição da coordenação, os dois partidos não escondem a ligação aos movimentos e até se têm feito representar ao mais alto nível nos protestos. Os organizadores do movimento garantem, no entanto, ao Observador que não recebem financiamento partidário e que, apenas ocasionalmente, pedem apoio a autarquias locais.»

É que eu, que por acaso não tenho memória curta, tenho registo de que esta crise começou já em 2016, em pleno governo da Geringonça, quando os preços da habitação começaram a disparar em Lisboa. O PCP e o BE, estavam na altura "enrolados" com o PS e não me recordo de ver indignação, nem manifestações, nem "acampadas". Recordo-me também, de como o PS, PCP e BE, de forma absolutamente criminosa, escancararam as fronteiras do País à imigração completamente descontrolada, permitindo toda a espécie de esquemas de tráfico humano, colocando em causa a segurança nacional e levando a que a população estrangeira em Portugal, tivesse quadruplicado entre 2017 e 2025, passando de 421 mil pessoas, para um total de 1,5 milhões de pessoas! 

Obviamente e como não podia deixar de ser, esta entrada abupta e completamente desregrada de estrangeiros em Portugal, só contribuiu para agravar e muito os problemas de habitação, para além de ter também colocado em stress agudo o Serviço Nacional de Saúde, que está agora rebentado e a caminho da falência sistémica, se nada entretanto mudar. 

Portanto, a mim, parece-me que apesar de serem inteiramente legítimos os protestos pela habitação, há também aqui um certo "Cavalo de Troia" do PCP e do BE, que estão desesperados, sendo que estão em vias de extinção em termos políticos e a entrar naquilo que podemos considerar, como sendo o "estertor da morte" da esquerda radical em Portugal. 

É que os números não enganam... A última sondagem da Aximage, realizada este mês, dava 1,8% de intenção de voto ao PCP e 1,7% ao Bloco de Esquerda, colocando simultaneamente o Chega como vencedor com 30,7% das intenções de voto, se as legislativas fossem agora. Creio que estes números, que são absolutamente devastadores para a esquerda, explicam porque é que duas semanas depois, passámos a ter as "acampadas" e manifestações "orgânicas", que apenas por "mera coincidência", são lideradas por pessoas que estão todas directa ou indirectamente ligadas ao PCP e ao BE. 

A esquerda está desesperada e tem razão para estar. Por todo o Ocidente o que vemos é que a esquerda de viés marxista/socialista/social-democrata está a ser arrasada nas urnas e a perder popularidade junto dos eleitorados a um ritmo estonteante. Os motivos para isto são, principalmente, o facto de as esquerdas ocidentais terem nas últimas décadas optado por seguir o caminho suicida da adesão ao Wokismo e a fórmulas neomarxistas, completamente estrambólicas e desligadas da realidade. As teorias e a obsessão com a imigração, as dezenas de "géneros" e as "pessoas racializadas", são o espelho desta nova esquerda. O constante ataque às identidades nacionais do Ocidente, ao "homem branco" e à história que a esquerda quer reescrever à sua maneira, associada à constante auto-flagelação pelo passado colectivo, alienaram grande parte do eleitorado da esquerda. 

Como eu ouvia um certo camionista, que se tornou famoso por fazer videos no youtube, dizer aqui há uns dias: «a esquerda só se preocupa com os imigrantes e está-se a cagar para os nacionais». Isto, gostem ou não, é o que grande parte das pessoas hoje pensam. Basta ligar-se a televisão ou ir aos websites da esquerda, para se constatar que não há ali uma mínima consideração pelas preocupações do povo real. Não vejo a esquerda falar de segurança e crime, que é uma das maiores preocupações dos portugueses. Nem apresentar qualquer plano realista para desenvolver a economia do País. A esquerda também não admite qualquer erro no que diz respeito a política de imigração, o que só revela como não aprenderam nada com o que fizeram a partir de 2016 e que, portanto, não estão minimamente aptos para governar seja o que for. 

Por fim, é preciso ter-se em conta que o registo histórico da esquerda em Portugal, é bastante negro no que a governação diz respeito. Só o Partido Socialista, desde 1974, já levou o País à bancarrota por três vezes, obrigando a sucessivas intervenções do FMI. 

Quanto à esquerda mais radical que é representada pelo PCP e o BE, esta só teve algum poder por duas vezes nos últimos 52 anos e também só fez asneiras que estamos hoje todos a pagar. A primeira vez foi logo nos idos de 74-75, ainda não existia o BE, mas existia o PCTP/MRPP de Arnaldo Matos e foi este partido, em conjunto com o PCP, que mais lutou em prol da "descolonização exemplar", de forma a fazer com que as províncias ultramarinas caíssem na órbita soviética. Nunca houve qualquer intenção de se realizar eleições democráticas ou qualquer referendo em Angola, Moçambique ou na Guiné. O que a esquerda da altura queria, de forma não confessada, era o colapso puro e simples da presença portuguesa em África, o mais rapidamente possível, de forma a que o Ultramar caísse na órbita soviética ou chinesa. O resultado deste crime, que configurou a maior traição à Pátria da história de Portugal, foi uma limpeza étnica da população branca em África, seguida por décadas de guerra civil em Angola e Moçambique e mais de dois milhões de mortos e feridos. Podemos incluir nesta "obra", o completo abandono de Timor e do seu povo à sua sorte e da Guiné Portuguesa, que foi reduzida a um completo Estado-falhado. Pelo caminho e no meio da loucura, só não deram também a "independência" aos Açores e à Madeira porque não calhou ou porque Moscovo já não fez essa exigência, como contrapartida para continuar a financiar o PCP... 

A segunda vez que a esquerda radical teve poder em Portugal, foi em 2015, quando António Costa formou a Geringonça com o PCP e o BE. O resultado deste desastre é hoje por demais conhecido, estamos a senti-lo na pele e vamos pagá-lo com "língua de palmo", sendo que está a ser continuado pelo PSD de Montenegro, que pouco ou nada tem feito para alterar o rumo que o País tomou nos últimos onze anos.  

A esquerda radical está, portanto, de parabéns e se ainda não percebeu porque é que mais de 95% dos portugueses a rejeitam nas urnas, então leiam de novo o que eu escrevi acima e talvez entendam... 

Advinham-se dias negros para a esquerda e esta só tem que se culpar a si própria pelo buraco em que se enfiou e de onde, muito dificilmente, conseguirá sair. 

2 comentários:

  1. Manuela Moura Guedes explica o que é o Bloco de Esquerda:
    https://www.youtube.com/shorts/YNbG8TvMXkI

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  2. Quem provocou a Crise da Habitação?
    https://www.youtube.com/watch?v=FctNAkEH4tc

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