Pedro Passos Coelho está de regresso e deu "o tiro de partida", com a grande entrevista exclusiva que passou na SIC Notícias esta semana.
Tenho de confessar que a entrevista me surpreendeu e muito. Este Passos Coelho é um homem muito diferente daquele que vimos nos idos de 2011 a 2015, quando fomos todos sujeitos aos ditames pesados da Troika e da austeridade financeira. A história, porém, tem sido algo injusta para Passos Coelho, que herdou em 2011 um País que tinha sido financeiramente arruinado pelo Partido Socialista (PS) de José Sócrates.
Não vale a pena andarmos aqui com demagogias baratas e "teorias de feira". A verdade é que em 2011 Portugal só tinha duas opções em cima da mesa, uma era a de "não pagar" a dívida como a esquerda radical exigia, o que implicaria automaticamente um default financeiro nos mercados internacionais, com as consequências imediatas que tudo isto inevitavelmente acarretaria. Esta opção, que repito e sublinho, era o caminho do suicídio colectivo para onde a esquerda nos queria arrastar com discursos demagógicos nos anos de chumbo da troika, teria levado a este resultado quase imediato, em que passaríamos a ser a nova Argentina da Europa:
- Paralisação do Estado e falência da banca: Sem acesso aos mercados internacionais e sem o financiamento da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) de 78 mil milhões de euros, o Estado Português não teria tido dinheiro para continuar a pagar salários de funcionários públicos, pensões, subsistemas de saúde ou fornecedores. O sistema bancário português, altamente exposto à dívida pública, teria entrado em colapso instantâneo.
- Congelamento de depósitos e escassez de liquidez: Os bancos poderiam ter fechado portas ou imposto limites severos aos levantamentos de dinheiro (como aconteceu em crises semelhantes noutros países), gerando uma corrida aos bancos (bank run) e a perda das poupanças das famílias e empresas.
- Isolamento financeiro e saída da Zona Euro: Um incumprimento desordenado colocaria a permanência de Portugal no euro em risco extremo. O país poderia ser forçado a criar uma nova moeda nacional desvalorizada para tentar recuperar competitividade, o que faria a inflação disparar de forma descontrolada.
- Austeridade ainda mais violenta: Em vez de um ajustamento negociado com apoio externo e prazos alargados, a quebra de receitas obrigaria a cortes drásticos e imediatos, paralisando a economia.
- Disparo do desemprego e recessão profunda: Com o fecho de empresas, o desemprego teria disparado de forma ainda mais abrupta.
A segunda opção em 2011, para evitar o cenário catastrófico descrito acima, foi a que acabou por ser implementada e esta consistiu em Abril de 2011, pela solicitação do programa de assistência económica e financeira internacional. Esta foi a infame "Troika", como acabou por ficar conhecida naqueles anos de chumbo e que manchou, como não podia deixar de ser, todo o legado de Pedro Passos Coelho.
Não esquecer, já agora, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já teve de intervir em Portugal por três vezes desde a "revolução" de 74 e foi sempre graças à governação do Partido Socialista (PS), que por mera "coincidência", de cada vez que assume a pasta do poder, tem esta tendência irresistível para rebentar com as finanças do País e a obra que faz, só a consegue fazer, com os chorudos fundos comunitários que os socialistas se tornaram peritos em saber "sacar" à Europa ao longo das últimas décadas. É nisto que estamos e é nisto que andamos há 52 anos, desde que abdicámos do projecto ultramarino em que o Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano tinham investido tudo, com uma visão de longo prazo para o País. Hoje, ao invés, não há nenhum plano de longo prazo para Portugual. Não há um projecto. Não há nada. Estamos tomados pela idiotice chapada dos partidos e de um regime, que já fede a mofo por todos os lados e onde os cravos já ganharam bolor...
A Terceira República transformou a Nação Lusa na rameira da Europa, a "aluna bem comportada" como eles dizem, elogiada internacionalmente pelos poderes globalistas e apátridas, devido à sua sempre permanente submissão e auto-humilhação em troca de dinheiro e subsídios, grande parte dos quais desaparecem em toda a espécie de esquemas de fraude e corrupção...
Portugal não tinha de ser este atraso de vida, mas é, porque o País vive numa imensa mentira há 52 anos e a sociedade foi completamente cristalizada e atomizada por este regime. A pobreza estrutural de Portugal ao longo das últimas cinco décadas, já não é imputável a Salazar, mas sim, é o resultado de más políticas, má gestão económico-financeira e de toda uma estrutura jurídica e constitucional, que mantém o País agrilhoado e condenado ao atraso perpétuo.
Uma economia não arranca, nem pode arrancar, com uma carga fiscal como a que temos em Portugal, que asfixia completamente toda a actividade empresarial. Nem com sindicatos que impedem e travam qualquer reforma estrutural da função pública, que sempre quis ter privilégios especiais em relação a quem trabalha no sector privado. Nem com um sistema judicial terceiro-mundista, em que um empresário ou um trabalhador podem levar anos para resolver uma simples questão contratual. Nem com um sistema educativo feito para criar apenas a ilusão de que se ensina e aprende, quando na realidade é só facilitismo, burocracia e indisciplina nas escolas.
Mas voltemos a Pedro Passos Coelho...
A mim parece-me que o antigo Primeiro-Ministro quer realmente voltar a governar Portugal e acredito, que há uma enorme probabilidade de isto realmente vir a acontecer. Passos Coelho apresentou-se com a pose de Estadista respeitável na entrevista desta semana e mostrou realmente um calibre e uma maturidade política que está a anos-luz de Montenegro. Pelo meio, disparou alguns elogios ao Chega e a André Ventura e criticou fortemente o facto de o actual PSD de Montenegro não ter dado a mão ao Chega, para formar uma verdadeira maioria de direita.
Creio que é muito claro o que aí vem, gostem ou não: O Chega de André Ventura, com grande probabilidade, vai vencer as próximas legislativas e se não vencer, vai seguramente ficar em segundo lugar. Montenegro, que se transformou numa cópia de António Costa, será derrotado e vai ser inevitavelmente substituído por Passos Coelho, que não tardará a formar uma aliança estratégica com o Chega, de forma a bloquear completamente o PS e a esquerda. Vamos acabar por ter um governo de coligação Chega/PSD. Isto parece-me neste momento incontornável. Está já escrito nas estrelas...
Quem mandou chamar a «Troika» foi o dr. Pedro Coelho, dr. Mário Soares, dr. Ricardo Salgado, dr. Carlos Santos Ferreira, dr. Faria de Oliveira, dr. Fernando Ulrich, dr. Nuno Amado, e dr. Carlos Costa (https://www.publico.pt/2015/09/10/politica/noticia/a-prova-dos-factos-afinal-quem-chamou-a-troika-em-2011-1707458), o governo liderado pelo ex-Primeiro-Ministro, José Sousa, limitou-se a executar o pedido.
ResponderEliminarAté hoje não se sabe qual foi a justificação e os critérios para pedir intervenção estrangeira em Portugal através da Troika, nem sequer uma auditoria foi feita.
A «Troika» não impôs nada a Portugal por conta própria, o regime liberal/maçónico pediu ajuda e aceitou as condições que lhe foram apresentadas, não houve uma imposição unilateral por parte da «Troika», as más políticas intencionais praticadas pelo XIX governo liberal/maçónico do dr. Pedro Coelho não estavam no memorando da «Troika», as mesmas foram impostas não com base no Interesse Nacional e no bem-estar dos Portugueses mas antes por ideologia onde em muitos domínios (privatizações, desregulação) foi mais longe do que aquilo que o memorando exigia.
O seu raciocínio acaba por não ter lógica nenhuma, perante uma crise económica e em vez de resolver o problema e efectuar as reformas que o País precisava, o que fez o governo liberal/maçónico do dr. Pedro Coelho e o seu bando? Provocou outra crise económico-social ainda maior, acabou com aquilo que restava do Estado Português (um dos pilares fundamentais de qualquer País), cometeu vários crimes de lesa-Pátria, destruiu e estagnou a economia e o trabalho em Portugal que já de si eram frágeis, impôs o subdesenvolvimento, promoveu o desemprego que atingiu a cifra de cerca de 1 milhão de Portugueses desempregados, destruiu os Direitos Laborais e implementou a instabilidade laboral, provocou para além da crise económico-social e laboral uma crise na habitação com a ilegal, criminosa, e inconstitucional "lei das rendas", iniciou a deslocação de estrangeiros para Portugal sem qualquer critério ou justificação, promoveu de forma dissimulada a ideologia «woke» (também conhecida por ideologia de género/lgbt) e a cultura do cancelamento.
O XIX governo liberal/maçónico do dr. Pedro Coelho e o seu bando (do qual faz parte o Partido Chega e o Partido Iniciativa Liberal) queriam e ainda querem destruir a Classe-Média Portuguesa e impor por capricho o seu modo de vida aos Portugueses que há 14 anos sofrem as consequências dessas más políticas intencionais infelizmente mantidas pelos governos liberais/maçónicos do dr. António Costa e do Sr.º Primeiro-Ministro Luís Esteves.
Certo e qual era então a solução que propunha? Deixava-se falir o País em 2011, ficando sem acesso ao crédito nos mercados internacionais e com as consequências inevitáveis e brutais que tudo isso acarretaria?...
EliminarAtenção que eu não sou um "passista", simplesmente, reconheço é que Passos Coelho chegou ao cargo de Primeiro-Ministro em 2011 numa conjuntura extremamente difícil para o País e que ele estava "entalado" em termos de espaço de manobra.
Mas queria solução para o quê?
EliminarAté hoje não se sabe qual foi a justificação e os critérios para pedir intervenção estrangeira em Portugal através da «Troika», nem sequer uma auditoria foi feita.
Para o estado em que o País se encontrava em 2011... ou por acaso não se apercebeu de que estávamos falidos e à beira de ficar sem acesso aos mercados internacionais, para poder continuar a financiar o País?...
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