O que aconteceu com a antiga Guiné Portuguesa desde que esta se tornou
"independente" em 1974, é um bom exemplo daquilo que acontece quando as
coisas são feitas sem se pensar nas consequências a longo prazo. Em 1974 e após o golpe que fez brotar cravos dos canos das espingardas a 25 de
Abril, o País enlouqueceu numa febre coletiva, que levou a que se
cometessem erros crassos em termos de geoestratégia pura que estamos todos,
brancos e pretos, a pagar até hoje:
As consequências do golpe militar dado a 25 de Abril de 1974, lesaram gravemente o interesse nacional e colocaram seriamente em causa a independência e a soberania de Portugal. Isto é um facto. Ao nível da geopolítica só precisamos de atentar na forma como em resultado da dita "descolonização", Portugal perdeu não só praticamente toda a sua capacidade de projeção de poder no quadro do concerto das nações, como também perdeu todo o seu espaço de manobra estratégico e a profundidade defensiva que tinha em termos militares. Este foi o resultado direto da irresponsabilidade dos militares que levaram a cabo o 25 de Abril, sem terem devidamente preparado e planeado o "dia seguinte" ao golpe, o que levou a que o poder caísse na rua e nas mãos da extrema-esquerda, com as consequências que hoje são bem conhecidas.
Confundiu-se e misturou-se aquilo que nunca devia de se misturar, ou seja, o regime do Estado Novo com o Império Português e isto foi logo um dos primeiros erros cometidos pelos revolucionários de Abril e toda a oposição ao regime de Salazar e Marcelo Caetano. A "descolonização" e a forma como tudo se processou nos idos de 74-75, acabou por se consumar como a maior vergonha e desonra, que alguma vez acossou as Forças Armadas de Portugal e toda a Nação Portuguesa em mais de 800 anos de história.
O governo de Marcelo Caetano, mais visionário do que o de Salazar em certos aspetos, já tinha conferido oficialmente o estatuto de Estado à Guiné Portuguesa em 1972. Tudo estava a encaminhar-se, pouco a pouco, para a transformação do Império numa grande Federação ou Confederação Portuguesa. Quem queria mudar o regime em 1974, só tinha de continuar este trabalho e fazer os melhoramentos necessários. Em lugar disso, deixaram-se levar pelas cantigas das utopias dos "amanhãs a cantar" da esquerda delirante, com os resultados que hoje estão bem à vista de todos. A República da Guiné-Bissau é hoje um Estado falhado em toda a linha, sendo que até já foi considerada como sendo «o primeiro narco-Estado de África». No resto da África Portuguesa é o que se pode ver com pobreza extrema e corrupção por todo o lado.
Os maiores vencedores com o 25 de Abril de 1974 foram a URSS, os EUA, a China e as novas elites que tomaram o poder tanto em Portugal, como em África, após a tão badalada «descolonização exemplar». Toda a guerrilha que operava em África era diretamente apoiada com armamento, munições, dinheiro, campos de treino, propaganda e ação diplomática a nível internacional, pelas grandes potências que disputavam a Guerra Fria. Isto está amplamente documentado e provado. Nada disto era inocente ou tinha como objetivo "libertar" fosse quem fosse, mas sim, desfazer o Império Português e parti-lo em pedaços, que ficariam depois na condição de Estados satélites da URSS, dos EUA ou da China.
Consumada a destruição total do Império, fez-se depois aquilo que praticamente todos os vencedores fazem quando tomam o poder, ou seja, passaram a reescrever a história distorcendo factos e papagueando mentiras, sancionaram quem os contraria e quando podem, perseguem quem os expõe ao ridículo. Vamos ainda levar muito tempo até conseguir repor a verdade histórica em Portugal.
No dia 19 de Dezembro de 2005, o jornalista Frederico Duarte Carvalho publicou um longo artigo, intitulado o filme - Uma Última Seia no Rossio, que podem encontrar aqui:
Nada disto seria de notar, não fosse o facto do artigo, na prática, ser um novelo imenso que tem de ser analisado com redobrada atenção e onde se mistura CIA, Henry Kissinger, Sá Carneiro, Mário Soares, Cavaco Silva, o caso Irão-Contras, a democracia em Portugal (e o seu fim...), George W Bush, a Guerra do Iraque e uma curiosa "última ceia" no Rossio, que terá decorrido a 22 de Março de 2003, quando as bombas americanas já caíam em Bagdade.
À primeira vista, tudo isto configura uma imensa "salada russa" de informações, onde se misturam elementos de todo o tipo e que mais parece algo saído da cabeça de um qualquer doidinho das teorias da conspiração. Porém, o autor de tudo isto não é um sujeito qualquer, mas um jornalista de referência com obra publicada e provas dadas. Creio não estar errado ao afirmar que Frederico Duarte Carvalho, será talvez o jornalista português que mais investigou até hoje o Caso Camarate a fundo, tendo depois publicado a obra Camarate - Sá Carneiro e as Armas Para o Irão. Para além disto, participou também na IX e X Comissão Parlamentar de Inquérito, onde prestou o seu testemunho sobre a tragédia de Camarate. Não estamos, portanto, perante um qualquer teórico das conspirações. Ao invés, este jornalista tem currículo e o que ele escreve sobre o que aconteceu em Camarate, merece uma análise cuidada e profunda reflexão.
A tese central que Frederico Duarte Carvalho constrói no seu livro Camarate: Sá Carneiro e as Armas Para o Irão, é a de que houve intenção dolosa no sentido de assassinar Francisco Sá Carneiro, devido ao facto de o então Primeiro-Ministro estar prestes a denunciar uma enorme conspiração, com profundas ramificações internacionais. Esta teia criminosa envolveria tráfico de armas, altas patentes militares portuguesas, o Fundo de Defesa Militar do Ultramar e interesses geopolíticos dos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria.
O plano para eliminar Sá Carneiro, acabou por ter sustentação em três eixos principais:
1 - O Desvio do Fundo de Defesa Militar do Ultramar
Descoberta da Fraude: Sá Carneiro teve acesso a documentos confidenciais que provavam o desvio de verbas deste fundo público.
Financiamento Paralelo: O dinheiro desviado servia para financiar operações clandestinas e redes de tráfico de armamento que operavam a partir de Portugal.
Denúncia Iminente: Sá Carneiro ordenou uma investigação financeira rigorosa, ameaçando expor figuras poderosas do regime militar pós-25 de Abril, que estavam envolvidas no desvio de milhões de contos do Fundo do Ultramar.
2. A Rota de Armas para o Irão
A Conexão a Teerão: Portugal funcionava como um entreposto estratégico para o envio de armamento para o Irão (que estava em guerra com o Iraque e sob embargo dos EUA).
Interesses dos EUA: Esta rota estava interligada com os interesses geoestratégicos dos EUA e que à época eram ocultos (ainda não tinha rebentado o escândalo que ficaria conhecido mundialmente como o Caso Irão-Contras).
Bloqueio Político: Como Primeiro-Ministro, Sá Carneiro tinha o poder legal para travar o tráfico de armas que passava por Portugal e neste sentido, ele pretendia proibir que os EUA continuassem a utilizar o território português, para levar a cabo este comércio ilegal de armamento. Isto, obviamente, constituía uma afronta direta a Washington e ao Império Americano em plena Guerra Fria.
3. Eliminação da Resistência Política em Portugal
Ameaça ao Sistema: Sá Carneiro era visto por Washington como uma força política intransigente, com uma postura política soberanista, bastante imprevisível e incorruptível face às máfias militares que operavam em Portugal. A CIA passou a considerar Sá Carneiro como um alvo a abater, pois este estava a ameaçar interesses geoestratégicos dos EUA. Terá sido, com grande probabilidade, Henry Kissinger a dar o avalo final para o assassinato de Sá Carneiro, quando visitou Lisboa poucos dias antes do atentado, a pretexto de uma alegada «missão importante» que nunca foi devidamente explicada. Em 1980, Kissinger era conselheiro e um dos homens de confiança da administração Reagan. Tudo leva a crer que foi precisamente por este motivo, que Kissinger foi escolhido para vir discretamente a Lisboa, com o intuito de preparar o terreno para a substituição de Sá Carneiro e "acertar as agulhas" com os novos poderes em Portugal, que assumiriam o governo após o atentado.
Garantia de Impunidade: A morte de Sá Carneiro (juntamente com a do Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa), visava garantir o silenciamento das investigações em curso, salvaguardando assim a impunidade definitiva de todos os envolvidos.
Intimidação: Matar Sá Carneiro de forma violenta, era também uma forma de intimidar outros eventuais futuros poderes em Portugal, que pudessem ter o atrevimento de vir a tentar afrontar os EUA. A mensagem de Washington era simples, mas brutal: quem desafiar o Império, pode vir a ter um fim semelhante ao de Sá Carneiro...
Portugal e o povo português merecem saber a verdade completa sobre aquilo que realmente aconteceu em Camarate. O dia 4 de Dezembro de 1980, foi o nosso 11 de Setembro. A morte de Sá Carneiro, para mim, marca o momento no período do pós-25 de Abril, em que Portugal fica definitivamente reduzido à condição de um mero Estado vassalo do Império Americano. A pouca soberania que nos restava como Estado e à qual ficámos reduzidos por intermédio da «descolonização exemplar», esfumou-se com o atentado de Camarate.
Tudo indica que é também falsa a teoria muito circulada, que advoga que Adelino Amaro da Costa era o verdadeiro alvo do atentado. Na realidade e pelos vários motivos já expostos acima, o objetivo principal dos conspiradores seria mesmo a eliminação física de Sá Carneiro, pois este havia-se tornado demasiado perigoso e incómodo, tanto para os americanos, como para certas pessoas com poder em Portugal.
A razão pela qual eu acredito que até hoje todas as Comissões Parlamentares de Inquérito e investigações associadas ao Caso Camarate, nunca deram em nada, deve-se ao facto dos EUA estarem diretamente implicados nesta trama. Nenhum governo português quer ter nas mãos uma conclusão oficial e devidamente comprovada, que afirme de forma explícita, que foram os Estados Unidos da América que assassinaram o Primeiro-Ministro de Portugal em 1980. A acontecer tal coisa, o Estado Português teria de pedir responsabilidades a Washington e todos sabemos que no atual regime, não há um único político que tenha capacidade ou coragem para tal.
A extinção da Direção-Geral de Segurança (DGS) no dia 25 de Abril de Abril de 1974, teve também potencialmente um papel na morte de Sá Carneiro. Portugal, em consequência disto, ficou sem um serviço de informações digno desse nome. De 1974 até 1984, data em que foi criado o atual Serviço de Informações de Segurança (SIS), Portugal esteve entregue à sorte no que diz respeito a capacidades de inteligência, espionagem e contra-espionagem. Esta falha gravíssima, com alta probabilidade, facilitou toda a conspiração que levou à tragédia de Camarate.
A forma como Sá Carneiro morreu e os motivos que levaram à sua morte, deveriam de ser motivo de profunda indignação para todos em Portugal. Isto é uma questão que ultrapassa a pequena política dos partidos. É a dignidade nacional que está em causa e esta não poderá ser restaurada, enquanto os responsáveis pelo atentado de Camarate não forem todos devidamente expostos em praça pública.
No momento em que escrevo isto, creio que já não restam quaisquer dúvidas sobre a cumplicidade das autoridades marroquinas, na invasão de Ceuta por mais de 80,000 migrantes africanos.
Já agora, é de notar que o argumento de alguns radicais de uma certa esquerda, de que «Marrocos tem o direito de tomar Ceuta, porque Ceuta foi roubada a Marrocos», é completamente inválido e resultada da ignorância mais crassa. Quando Ceuta foi conquistada em 1415 por nós portugueses, ainda não existia Marrocos. Ceuta fazia então parte do Império Merínida e a expansão portuguesa no Norte de África, teve objetivos comerciais e religiosos, sim, mas também defensivos, pois os berberes do Norte de África, regularmente levavam a cabo assaltos e ataques de pirataria contra a costa portuguesa, colocando em perigo as populações do litoral e toda a navegação. A rede de fortalezas e meios defensivos que se construíram ao longo da costa algarvia, tiveram até ao século XIX como uma das suas principais funções, combater e derrotar incursões de piratas vindos do Norte de África. Portanto, como se pode constatar, esta história das "invasões migrantes" já não é nova... Aquilo que é novo, isso sim, é a estupidez ignorante de alguns comentadores e ativistas que somam e seguem por aí, a falar do que não sabem nas redes sociais, nos jornais e nas televisões.
Ademais, do ponto de vista puramente histórico, Ceuta fez parte de Cartago até ser conquistada pelos romanos e posteriormente pelos vândalos. Seguiu-se o domínio bizantino e só em 709 é que a cidade passa realmente para o domínio islâmico, quando é conquistada pelo Califado Omíada. Do acima exposto, creio que fica bem patente como o Reino de Marrocos tem zero legitimidade do ponto de vista histórico e do direito internacional, para reclamar soberania sobre Ceuta e exigir seja o que for do governo espanhol.
Acrescento ainda que tomar Ceuta em 1415 e expandir no Norte de África, foi a forma que a Coroa Portuguesa encontrou para afastar os exércitos islâmicos da Península Ibérica e juntando o útil ao agradável, pelo caminho ir espalhando a Cruz de Cristo e fazendo comércio. Tal estratégia, em linhas gerais, manteve-se até ao debacle da Batalha de Alcácer-Quibir em 1578, altura em que aí sim, desistimos de vez do Norte de África (passou a ser uma causa perdida...) e passámos a concentrar os nossos esforços na América do Sul, na África Subsariana e no Extremo Oriente. Esta, em essência, foi a nossa forma de ser e estar no Mundo até ao fatídico dia 25 de Abril de 1974, quando para se derrubar um regime autoritário que estava desgastado e apodrecido, colocou-se também de forma totalmente irresponsável e criminosa, fim a um projeto coletivo com cinco séculos de existência, que unia povos espalhados por três continentes diferentes. Hoje, quando tanto se fala de "multiculturalismo", convinha que se tivesse em conta que fomos nós portugueses, que lançámos verdadeiramente a primeira vaga de Globalização no Mundo.
Mas voltemos a 2026...
Portugal e Espanha, estão hoje confrontados com um claro acto de agressão da parte do Reino de Marrocos, que tem com toda a probabilidade a mão de Israel e dos EUA por detrás. Está na hora de a União Europeia suspender o estatuto de Marrocos como parceiro privilegiado da UE. De forma coordenada, Portugal e Espanha devem também de exigir um pedido de desculpas público ao Reino de Marrocos e o pagamento de todas as despesas associadas aos danos e gastos relacionados com a crise migratória. Se Marrocos recusar estas condições, então nesse caso Portugal e Espanha devem de retaliar renunciando à organização conjunta, com Marrocos, do Mundial de Futebol de 2030.
No sistema internacional de relações, só é respeitado quem se dá ao respeito e tanto Portugal e Espanha, como a própria Europa, há muito que deixaram de se dar ao respeito...
Tenho de confessar que larguei uma gargalhada quando ontem vi o cartaz que Bruno Fialho, o líder da Alternativa Democrática Nacional (ADN), publicou há dias no X. Independentemente daquilo que cada um possa pensar da ADN (há até quem os considere chalupas...) e das suas propostas, sentido de humor é coisa que não parece faltar aos militantes deste partido.
A Rússia colocou oficialmente em serviço há poucos dias, o Irkut MC-21. Trata-se de uma aeronave projetada para substituir a frota de Boeing e Airbus que a Federação Russa ainda opera. O que torna este avião completamente revolucionário, é que pela primeira vez na sua história, a Rússia produziu uma aeronave civil 100% fabricada com peças e tecnologia russa. Nada neste avião é importado, nem sequer da China ou de outro País aliado da Federação Russa. O protótipo da aeronave já anda a ser testado há anos, como Andrei Martyanov o ano passado já tinha comentado no seu blogue:
Claro que tudo isto passou largamente despercebido nos EUA e na Europa, graças à censura praticada por grande parte dos media ocidentais, sobre tudo o que se passa na Rússia. O Ocidente em linhas gerais vive na ignorância sobre o que é que é realmente a Rússia e depois o que se vê é a tristeza de comentadores e comentadeiras, que andam pelas televisões e jornais há anos a fio a prever o «colapso iminente» da economia russa. Pessoalmente, até já perdi a conta ao número de vezes que de acordo com a CNN, Putin estava prestes a morrer de cancro e isto já para não falar do número de baixas russas, completamente fabricadas pelos serviços de inteligência ucranianos, que os media ocidentais divulgam como sendo a "verdade". Enfim... quando as pessoas querem viver na ignorância, é deixá-las viver na ignorância...
Mas já agora e para rir, deixo-vos com esta pérola publicada pela CNN em 2022, que na altura dava a garantia de que o Exército Russo estava a combater com tanques, que tinham sistemas eletrónicos construídos com semicondutores de frigoríficos e máquinas de lavar:
Já dizia Napoleão, «nunca interrompas o teu inimigo quando ele está a cometer um erro...». Se os ocidentais gostam de viver a acreditar neste tipo de patetices sobre a Rússia, consumindo e acreditando em toda a desinformação e propaganda que os media disseminam diariamente, é deixá-los andar...
Se é isto que pensam de nós e da Europa, o que vêm para cá fazer? Qual a tolerância que devemos ter para quem nos quer destruir??? pic.twitter.com/gE6mA5VEWD
Aquilo que André Ventura mostra no video acima é gravíssimo. Espanha, Portugal e a Europa estão a "ferro e fogo" com o descontrolo total das migrações e mais uma vez, o Chega é o único partido com assento parlamentar a expor estas questões importantes. Ninguém na esquerda abre a boca
sobre isto e a direitinha bem comportada do regime (PSD, CDS-PP), esses
então, assobiam para o lado e fazem de conta que está tudo bem.
A
política migratória que tem sido praticada por Portugal nas
últimas décadas, está toda errada, é atentatória dos interesses
nacionais e em última análise, coloca em risco a segurança física e psicológica de todos aqueles que vivem no nosso País.
O
auge da loucura e da irresponsabilidade, foi o que se passou durante o
governo da hoje infame "Geringonça" liderada por António Costa, que
levou a que o número de estrangeiros residentes em Portugal tivesse duplicado em apenas três anos.
Tudo isto deixando entrar gente de todo o Mundo sem o devido rastreio
dos registos criminais, sem qualquer entrevista adequada ou garantias
seja do que for. O que tivemos com a Geringonça foi uma política
completamente libertária, quase anárquica, em relação à imigração.
Para
agravar tudo, o governo de António Costa ainda foi assinar o Pacto
Global Para as Migrações, também conhecido como Pacto de Marraquexe em
2018, que só veio agravar tudo sob a capa de pretensas "boas intenções".
Pois bem, de boas intenções está o inferno cheio...
A
negligência fica evidente e provada se atentarmos no facto de a
Geringonça não ter levado a cabo qualquer estudo antes de escancarar as
portas do País, sobre qual a real capacidade de Portugal para acolher
imigrantes em massa de forma sustentável. O resultado, hoje bem à vista
todos, é o Serviço Nacional de Saúde completamente sobrecarregado e uma
crise no mercado da habitação que se agravou sobremaneira. Os
imigrantes, esses, acabaram muitos deles vítimas de esquemas, a viver em
tendas ou contentores, ou empilhados como animais em casas sobrelotadas
sem as mínimas condições de higiene ou bem-estar. Convém não esquecer
que tudo isto, toda esta pouca vergonha e crime de lesa-pátria, foi permitido por uma coligação da dita "esquerda", composta por partidos que em campanha eleitoral tinham prometido que iriam defender os trabalhadores portugueses...
E
não fiquem a pensar que responsabilizo apenas a esquerda por todo este
despautério, bem pelo contrário, está bem documentada e registada a
forma como o PSD e CDS/PP, apoiaram tudo isto de forma disfarçada e
colaborante, sendo que a direita que estes partidos representam o que quer é
mão-de-obra escrava para trabalhar ao preço da uva. A imigração em
massa é usada como uma ferramenta económica para manter o preço da
mão-de-obra o mais baixo possível.
Os imigrantes devem de ser respeitados,
sim, mas é preciso ordem, controlo e o Estado tem de ter ferramentas para impor respeito, pois Portugal não é "a casa da mãe Joana"... Isto significa que não se deve
deixar entrar ninguém sem uma filtragem prévia a todos os antecedentes e um contrato de
trabalho que garanta meios de subsistência adequados. Acima de tudo, deve-se apenas conceder direitos em troca de deveres.
Os
imigrantes que vêm honestamente para trabalhar em busca de uma vida
melhor, devem de ser respeitados e o Estado tem obrigação de combater os
esquemas de tráfico humano. Todavia, deve também ficar logo muito claro
na fronteira, assim que os imigrantes entram, que eles têm o dever de se
também tentar integrar na sociedade, têm de respeitar a cultura, a
língua e os costumes de Portugal e não podem cometer crimes, caso
contrário, serão deportados. A nacionalidade também só deve ser
concedida em situações muito excepcionais e não distribuída como um
brinde numa loja de doces, como se passou a fazer durante os anos da
Geringonça.
Proponho
até que todo e qualquer imigrante seja obrigado a assinar um contrato
de direitos e deveres para com o Estado Português assim que entra no
nosso País. Nesse contrato, estariam bem explícitos todos os direitos e
garantias, porém, também haveria deveres, começando logo pelo dever de
respeitar a bandeira e a cultura portuguesas. Quanto à concessão da nacionalidade
portuguesa e direito de voto, isso só ao fim de 20 anos de residência
contínua em Portugal é que deveria de ser concedido e apenas mediante
juramento da bandeira e prestação de serviço militar obrigatório ou
serviço cívico.
Também não é minimamente admissível que haja imigrantes que não
falam a língua portuguesa a conduzir übers e a operar restaurantes ou
outros estabelecimentos comerciais. Todo e qualquer estabelecimento
comercial em Portugal, de porta aberta ao grande público, tem de ter serviço
prestado em língua portuguesa e não em inglês, francês, bengali ou outro idioma qualquer.
Enfim...
podia continuar a escrever sobre isto muito mais, pois os erros e as asneiras cometidas em Portugal pelos poderes instituídos foram tantos a nível de política migratória, que vamos levar muito tempo para reverter o mal e a
médio/longo prazo, tudo aponta que vá ser necessário levar a cabo algum
tipo de
remigração em massa. A actual Constituição tem também de ser demolida e é
preciso um novo documento constitucional que permita realmente reformar
o País a todos os níveis. Vai ser necessário reverter e corrigir muitos
erros que se têm cometido ao longo de décadas e no que diz respeito a
imigração, é preciso alterações legais no sentido de se permitir levar a
cabo a cassação da nacionalidade a determinados "cidadãos
portugueses" importados, que para começar, nunca deveriam sequer de ter tido acesso à
nacionalidade portuguesa!
Quem vem para Portugal cometer crimes deve
também ser imediatamente deportado sem demora e sem possibilidade de retorno, assim que terminar o
cumprimento da respetiva sentença.
Os
partidos do sistema em
Portugal, enfiaram-nos a todos num "molho de brócolos" daqueles bem grandes, com
as políticas migratórias que colocaram em prática desde os anos 1990. O
Chega, obviamente, está a ser
catapultado para o poder porque as pessoas estão completamente fartas
desta situação e estão a abrir os olhos para a loucura que tomou conta
do País. Eu não concordo com André Ventura em muita coisa,
principalmente, no
que diz respeito às suas posições sobre a guerra na Ucrânia, a NATO, o
Irão, Cuba, a Venezuela, a União Europeia e Israel. Porém, no
que diz
respeito a política migratória, André Ventura tem 200% de razão e só nega isto quem está muito mal informado ou não quer encarar a realidade de frente.
Não
admito que haja zonas do meu País, nomeadamente certos
bairros, onde eu como cidadão não posso entrar e circular livremente em segurança à hora que eu quiser, porque são "território" de certas
etnias ou grupos criminosos. Isto tem de ter um fim e eu não vejo nenhum
dos partidos do assim-chamado "arco do poder" a apresentar soluções
para isto, o que explica o tremendo sucesso do Chega junto do
eleitorado, pois é o único partido no parlamento que realmente toca em muitas questões
estruturais que praticamente todos os outros partidos ignoram de
propósito.
O caso não seria grave, se não fosse o facto de Dan Crenshaw ser membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, pelo Partido Republicano. É também um forte apoiante de Trump e do movimento MAGA. Esta gente nunca deve ter trabalhado no duro um único dia na vida.
Ângelo Kapwatcha, sem papas na língua, diz a verdade que muitos em Portugal ignoram ou fingem não saber. O processo da descolonização portuguesa, foi um imenso crime que levou ao abandono de milhões de pretos em África, que eram mais portugueses e patriotas do que muitos brancos. As novas gerações não sabem o que por lá se passou, nem têm a mínima noção de coisíssima nenhuma, pois desde o dia 25 de Abril de 1974, o sistema de ensino passou a ser saneado em favor da narrativa da esquerda, que passou a dominar o discurso corrente sobre o que foi o Colonialismo e o Império.
Esta foto de tropas do Exército Português em África em 1972, resume tudo:
Isto, meus caros, era o que nos tornava únicos no Mundo, com um Império que era verdadeiramente multirracial e pluricontinental. Havia, de jure et de facto, um País que se estendia do Minho a Timor e isto não era propaganda do Estado Novo, nem invenção de Salazar, mas sim, o resultado de um esforço coletivo com mais de 500 anos de história. As Forças Armadas de Portugal eram compostas por militares de todas as cores, unidos em torno da mesma bandeira. O Lusotropicalismo não era um mito, mas uma realidade prática. Os governantes pós-25 de Abril decidiram trocar tudo isto pelas fantasias da CEE/UE, porém, esqueceram-se de que nós não temos nada a ver em termos de mentalidade ou carácter com alemães, franceses, belgas ou holandeses. Com a maioria dos habitantes da Europa de Leste, ainda temos menos a ver... e é por isso que a UE no longo prazo está completamente condenada ao fracasso, pois ninguém na Europa vai combater pela UE ou "dar a vida" por uma guerra em defesa da UE. A UE não passa de um projeto de secretaria hedonista que só vai continuar a funcionar enquanto houver subsídios para distribuir.
O português tinha uma forma única de ser e estar no Mundo até 1974 e isto era a inveja das grandes potências, tanto que não descansaram enquanto não nos reduziram geograficamente às fronteiras medievais.
O caos migratório que se tem verificado em Ceuta nos últimos dias, não é fruto do acaso e ao que tudo indica, tem uma certa "mão invisível" por detrás. Vejamos, o senhor muito bem vestido da foto abaixo é o atual Rei de Marrocos, Mohammed VI:
O Rei Mohammed VI, conhecido também como «o Rei ausente», não é um tirano qualquer, ele é o Rei mais rico de África e alegadamente, será a quinta pessoa mais rica do continente africano. Diz-se que tem o hábito de passar longas temporadas a viver num sumptuoso palácio em Paris, o que explica na perfeição o cognome que o próprio povo marroquino lhe deu.
Mohammed VI é mais um sátrapa corrupto ao estilo do Terceiro Mundo, que vive a banhar-se no luxo e na opulência. É também um lacaio e protegido dos EUA e de Israel. Trata-se de uma figurinha repugnante.
Agora vejam isto que Angelo Giuliano publicou no dia 1 de Agosto na sua conta da rede X:
Conseguem perceber?... As peças do "puzzle" encaixam todas na perfeição... mais uma vez os migrantes estão a ser usados como uma arma geopolítica pelos anglo-sionistas. Israel tem contas por acertar com o governo de Pedro Sánchez por causa do apoio deste à causa palestiniana e está a usar Marrocos para fazer o trabalho sujo. Abundam na net os videos em que se pode ver as autoridades marroquinas a facilitarem o transporte e a passagem de milhares de homens em direção a Ceuta, o que torna o governo de Marrocos inteiramente cúmplice de tudo o que se está a passar.
Em simultâneo com o assalto lançado contra Ceuta, de forma concertada começaram também os ataques violentos contra o governo de Pedro Sánchez por parte da direita sionista que temos na UE. Manfred Weber, Georgia Meloni, André Ventura, Alice Wiedel e Jordan Bardella, não tardaram todos a dar início à ofensiva contra o governo espanhol. A forma como estes líderes reagiram de forma muito organizada e bem preparada, só por si demonstra como a mão do Deep State americano e o lobby sionista estão por detrás de toda esta trama. Como não podia deixar de ser, Trump e Israel também se lançaram abertamente no apoio a Marrocos, com os EUA a darem vários sinais públicos e bem explícitos de que apoiam a tomada de Ceuta e de Mellila por parte de Marrocos.
Algo está a ser preparado nos corredores do poder em Washington e Telavive. Tudo leva a crer que o Império Anglo-Sionista quer controlar por completo o Estreito de Gibraltar, à semelhança do que o Irão está a fazer no Estreito de Ormuz. Esta poderá, eventualmente, ser uma das formas de retaliar contra a Rússia e a China, pelo apoio que estes países têm fornecido ao Irão na sua guerra contra o Império Anglo-Sionista.
Acrescento que o governo espanhol (e Portugal se também vier a ser caso disso...) deve de tomar imediatamente medidas adequadas para travar e reverter esta invasão migrante, nomeadamente, começando por fechar as fronteiras de forma séria com o apoio do Exército e deportando todos os migrantes e ilegais de forma exemplar. De seguida, é apresentar ao Rei de Marrocos a fatura pelas despesas em cuidados de saúde, alimentação e repatriamento.
O professor Mohammad Marandi teve há dias um debate épico com o ex-advogado de Jeffrey Epstein, o sionista Alan Dershowitz. Claramente, Dershowitz não está habituado a ouvir as verdades e é visível o pânico e a aflição em que a criatura entra, enquanto Marandi o bombardeia com facto atrás de facto. Genocídio na Palestina, crimes de guerra cometidos por Israel no Líbano, crianças mortas à fome em Gaza, as armas químicas fornecidas pelo Ocidente ao regime de Saddam Hussein nos anos 1980, Dershowitz ouviu-as todas e muito mais. Marandi é imbatível.
Over the last few weeks, the situation for Ukraine on the frontline has rapidly deteriorated in an unprecedented manner not seen since early 2025.
In the northeastern corner Kharkiv Oblast, Russia has achieved two localised breakthroughs, threatening to encircle more than 360… pic.twitter.com/Bz7cwqcXeH
A Ucrânia e a esmagadora maioria dos media ocidentais, passaram os últimos meses a falar das grandes "vitórias" contra a Rússia. Era drones para aqui e drones para ali, ataques em profundidade, refinarias a arder, falta de combustível em massa na Federação Russa, tudo isto foi apregoado (mais uma vez...) como a "prova" do iminente colapso russo. Claro que o facto de isto ser tudo propaganda criada pelos ucranianos e pela NATO, raramente passa pela cabeça de muitos ocidentais, mas a verdade não tarda a vir ao de cima...
Agora sabe-se que Zelensky está desesperado e está desesperado, porque o Exército Russo está neste momento a apenas 5 km de Slavyansk e Kramatorsk, as últimas duas cidades-fortaleza que restam à Ucrânia no Donbass. Em mais um último acto de manobras diplomáticas inúteis, Zelensky veio agora propor mais um cessar-fogo aos russos, na linha de conflito atual. Moscovo, obviamente, vai rejeitar.
A guerra na Ucrânia vai prosseguir até à derrota total das Forças Armadas da Ucrânia. Isto significa a destruição de todo o aparelho militar que a NATO e a UE construíram na Ucrânia desde 2014 e em consequência, o desmantelamento do regime e do Estado Ucraniano, tal como ele hoje existe. Há uma possibilidade cada vez mais real, de a Ucrânia simplesmente sumir como País e nada restar.
Ando a dizer isto desde 2022 e não me canso de insistir: esta guerra só vai terminar da mesma forma que terminou a Segunda Guerra Mundial para os alemães em 1945, ou seja, com a capitulação total e incondicional da Ucrânia. Posteriormente, se a NATO mesmo assim não entender a mensagem e continuar a tentar ameaçar e desestabilizar a Federação Russa nas suas fronteiras, serão tomadas mais medidas técnico-militares contra outros Estados, na zona do Báltico, na Polónia, Roménia, Moldávia, ou até mesmo possivelmente na Finlândia.
«O Mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade.» - Fernando Pessoa (1888 - 1935)
O professor John Mearsheimer, que é "apenas" um dos maiores especialistas em relações internacionais no activo, lançou há poucos dias o seu novo canal de youtube. Vale a pena seguirem se gostam de geopolítica, diplomacia e relações internacionais. Posso dizer que sou discípulo do John Mearsheimer já há vários anos e foi com ele que aprendi muito daquilo que hoje defendo e escrevo.
O realismo ofensivo (offensive realism), é uma tese desenvolvida por Mearsheimer (offensive realism), que busca explicar o comportamento das grandes potências no sistema internacional. No fundo, trata-se de perceber porque é que os Estados-Civilização como a Índia, a Rússia, a China, os EUA e até mesmo o Irão, agem da forma como agem no concerto das nações.
Sucintamente, o realismo ofensivo defende quatro ideias principais:
O sistema internacional é anárquico (não existe uma autoridade global acima dos Estados).
Os Estados nunca podem ter a certeza das intenções futuras dos outros.
Pelo motivo acima descrito, as grandes potências procuram maximizar o seu poder, de forma a garantir a sua própria sobrevivência.
Sempre que possível, as grandes potências tentam alcançar a hegemonia regional e/ou global, porque isso reduz ameaças à sua segurança.
Compreender o realismo ofensivo e as teses de Mearsheimer, é meio caminho andado para se entender porque é que o Mundo hoje está no caos em que está. As várias ideologias e religiões podem enfraquecer ou fortalecer os Estados, dependendo da sua tipologia e formas de implementação, porém, não alteram no essencial o padrão comportamental das grandes potências mundiais. No meio de tudo isto, o direito internacional reduz-se a um mero elemento decorativo e de retórica oca.
Não há esquerdas, nem direitas, nem amigos no sistema internacional em que operam as grandes potências mundiais. O que há são interesses, competição e parcerias estratégicas. É assim que o Mundo funciona e sempre funcionou. Ponto. Se não forem capazes de compreender isto, então não compreendem nada...
No caso particular de Portugal, vale a pena notar que um dos motivos que levou Salazar e o Estado Novo a lutarem pelo Ultramar, foi precisamente a noção de que sem o Ultramar, Portugal ficaria desprovido de "espaço de manobra" no sistema internacional, que foi precisamente o que veio à acontecer com a dita "descolonização" após 1974. A URSS tratou logo de estabelecer a sua hegemonia nas ex-províncias ultramarinas, que foram transformadas em satélites soviéticos. Os soviéticos defenderam o seu Império, como é próprio e natural de qualquer grande potência mundial, nós portugueses é que falhámos na defesa do nosso. A culpa disto foi em parte do próprio Estado Novo, que não se soube adaptar às circunstâncias da época e cristalizou no tempo, não tendo sido capaz de perceber os "ventos de mudança" que nos bateram à porta a partir da década de 1950 e que o Império Português, tal como Spínola defendeu em Portugal e o Futuro, só podia ser salvo através da transformação do mesmo numa Federação ou até mesmo numa Confederação de Estados Portugueses. A insistência de Salazar na descabida política do condicionamento industrial, só agravou os problemas económicos do Império ainda mais e serviu para manter o atraso estrutural.
O 25 de Abril, ao ter reduzido Portugal às suas fronteiras medievais, anulou por completo e em simultâneo, toda a capacidade de projeção real de poder no sistema internacional, que Portugal tinha até 1974. A alternativa estratégica apresentada pelos poderes que nos governaram nos últimos 52 anos, foi a integração de Portugal na CEE/UE, algo que trouxe realmente bastante desenvolvimento material e dinheiro para Portugal, porém, eu pessoalmente não antevejo um bom fim para a UE, pois esta é do ponto de vista internacional um Frankenstein das nações, colado com cuspo e preso por fios. Este tipo de projetos internacionalistas, à semelhança da ex-Jugoslávia e apesar de serem ambiciosos, têm uma certa tendência para acabar mal.
Os EUA e o Ocidente são governados neste momento por uma elite que não entende o que é a guerra real e o que é que esta implica tanto em termos de necessidades (recursos naturais, indústria, stocks de munições, logística, modelos matemáticos, mentalidade, demografia, cultura académica, etc...), como em termos de consequências. A concepção que as elites ocidentais e grande parte da população têm hoje da guerra, é uma concepção muito rudimentar, Hollywoodesca até, laboriosamente construída por décadas de propaganda e lavagem cerebral.
O mito da "invencibilidade americana", apesar de ter sido completamente estilhaçado pela República Islâmica do Irão nos últimos meses, ainda continua a dominar as análises de grande parte dos jornalistas e da intelligentsia ocidental. A verdade, porém, é que esta gente é pura e simplesmente incompetente. A CIA, os conselheiros que rodeiam Trump, inúmeros "analistas" ao serviço de Washington e da NATO, esta gente não ocupa os cargos que atualmente ocupa por serem os melhores, mas sim, porque dizem aquilo que o Deep State e a elite reinante querem que esta gente diga, quais papagaios de serviço. Esta é a grande diferença entre a América de hoje e a América que tínhamos até aos anos 1980. Comparem a administração de Ronald Reagan com a administração patética que temos hoje com Trump. Reagan, digam o que disserem dele, tinha especialistas e académicos realmente capazes a aconselhá-lo. Numa altura em que o Mundo ainda vivia em plena Guerra Fria, a administração Reagan tinha ao seu serviço a "nata da nata" daquilo que o Ocidente produzia em termos de analistas sobre a URSS e o Mundo Comunista. A administração de Reagan era hostil à URSS e ao Comunismo, isso é inquestionável, porém, esta administração era simultaneamente realista e tinha uma noção minimamente pragmática da realpoltik. Hoje, ao invés, tanto a administração de Trump, como a de muitos países europeus, estão pejadas de ideólogos neocons, extremamente agressivos e caracterizados por uma postura de superioridade arrogante em relação ao resto do Mundo. Um bom exemplo disto mesmo foram as infelizes palavras do antigo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrel, quando este afirmou num discurso em 2022 que a Europa é «um jardim» e o resto do Mundo «uma selva».
O que permitiu que evitássemos durante décadas a loucura de uma guerra nuclear global que teria tido resultados catastróficos para a Humanidade, foi uma profunda noção realista e uma postura pragmática, da parte dos líderes que o Ocidente teve até ao fim da Guerra Fria. Esta mentalidade realista e pragmática, era também reforçada pelo facto de praticamente todos os estadistas ocidentais da Guerra Fria, terem sido eles próprios militares durante a Segunda Guerra Mundial e por isso mesmo, sabiam o que era a guerra real e tinham noção das consequências da mesma. Truman, Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan e até mesmo Bush (pai), todos estes líderes eram avessos ao sistema socialista proposto pela URSS, porém, eles sabiam o que era a guerra real e foi por isso mesmo que o Mundo conseguiu sobreviver à Guerra Fria. Independentemente das preferências ideológicas de cada um, temos de reconhecer esta evidência. Os líderes dos EUA, da CEE e da URSS, cada um à sua maneira e apesar de todas as guerras por procuração, golpes de Estado, assassinatos, jogos de espionagem e manobras diplomáticas em que andaram envolvidos, apesar disto tudo, tiveram o discernimento necessário para conseguir evitar a escalada final rumo ao Apocalipse Nuclear.
Ora, passa-se que nos dias que correm, ao invés de tudo o que eu acima descrevi, estamos entregues à maior irresponsabilidade no Ocidente com os Trumps, as Von der Leyens e as Kaja Kallas que por aí pululam. Esta gente nunca esteve na guerra ou cumpriu sequer qualquer serviço militar. Não sabem o que é a guerra real, são mal aconselhados e são completamente ignorantes sobre a Rússia, a China ou o Irão e é precisamente por esse motivo, que nos arrastaram a todos para o "bróculo" geopolítico que vivemos atualmente no concerto das nações.
O momento atual é grave... gravíssimo para dizer o mínimo e arrisco dizer que 99% da população ocidental não tem a mínima noção disto.
O Mundo está neste momento a viver uma nova guerra Mundial, disputada entre o Eixo Moscovo-Teerão-Pequim e aquilo que podemos designar pelo Império Anglo-Sionista. De uma lado temos a maioria da população mundial, os BRICS, o Sul Global e grande parte dos recursos naturais e industriais do planeta, incluindo terras raras. Do outro, temos os EUA e Israel com os seus vassalos da NATO e da UE.
O Império Anglo-Sionista, que é comandado a partir de Telavive e Washington e que os russos costumam designar por «ocidente coletivo», não possui recursos naturais suficientes e muito menos humanos para poder derrotar ou sequer travar a Rússia, a China e o Irão juntos. O que isto significa, traduzido para os mais leigos nesta matéria, é que chegou a hora do Ocidente começar a negociar de boa fé para salvar o que lhe resta e deixar-se de fantasias sobre domínio mundial (os anos 1990 já terminaram há muito...), caso contrário, iremos inevitavelmente assistir nos próximos anos a um cerco e ataque cerrado cada vez mais intenso a nível global, tanto em relação aos interesses ocidentais, como em relação à NATO. O que se está a passar neste preciso momento na Ucrânia, no Médio Oriente e em África, onde a China e a Rússia estão a dominar cada vez mais, está a expor perante o Mundo a fragilidade ocidental em todo o seu esplendor.
Quanto mais o Ocidente adiar as negociações e continuar a sua política de hostilidade em relação à Rússia, o Irão e a China, pior será o desfecho final de toda esta situação para todas as partes envolvidas. Têm dúvidas sobre isto que eu afirmo?! Então experimentem ler a imprensa russa, chinesa e iraniana que está disponível online e traduzida para quem se interessar... o que por lá se escreve e demonstra, expõe completamente ao ridículo as narrativas e fantasias ocidentais sobre vitórias imaginárias na Ucrânia ou no Estreito de Ormuz. Para agravar tudo, é notório como o Irão, a Rússia e a China estão a solidificar as suas alianças em termos de defesa coletiva e com a participação da Coreia do Norte. O que isto significa é que será de prever que nos próximos anos a NATO vá ser alvo de um cerco gradual que já começou na Europa, onde Putin traçou a linha vermelha na Ucrânia e no Médio Oriente, onde o Irão está gradualmente a destruir toda a infraestrutura militar americana com mísseis e drones.
Putin deixou claro no fim de 2021 que a NATO iria ser empurrada para trás a bem ou a mal... Em Dezembro de 2021, a Rússia entregou ao Ocidente vários documentos e propostas de acordo, onde avançava com uma renegociação de toda a arquitetura de segurança internacional e o compromisso escrito por parte dos EUA, de nunca deixarem a Ucrânia aderir à NATO. O Ocidente, de forma totalmente arrogante e agressiva, recusou integralmente as propostas de paz russas e ainda se riu na cara dos russos e fez troça da linha diplomática seguida por Moscovo. Sei muito bem de tudo isto, pois escrevi sobre esta questão na altura em vários artigos e recordo-me até de por volta de alturas do Natal de 2021, eu ter escrito um artigo em que advertia que aquele seria o último Natal em paz na Europa durante muito tempo, pois a guerra estava ao virar da esquina... Os factos demonstram como não me enganei e dois meses depois em Fevereiro de 2022, a Rússia, após anos de promessas falhadas por parte do Ocidente e já não podendo tolerar mais os sucessivos alargamentos da NATO em direção às suas fronteiras, foi obrigada a tomar medidas técnico-militares que se traduziram na Operação Militar Especial que dura até hoje na Ucrânia.
O Ocidente, nomeadamente os EUA, a UE e a NATO, são inteiramente culpados e responsáveis pelo conflito que grassa hoje na Ucrânia e os americanos especialmente, ao que tudo indica, provocaram-no tendo em conta três grandes objetivos estratégicos, a saber:
Sancionar a Rússia de forma muito violenta, de forma a tentar provocar o colapso do governo de Putin e se possível, substituir Putin por um fantoche qualquer ao serviço do Ocidente.
Cumprido o ponto 1, aproveitar o caos das sanções e da guerra, para tentar provocar o colapso do Estado Russo e a consequente fragmentação da Rússia. A CIA e os vários serviços secretos ocidentais, já estavam preparados para fornecer armamento e inteligência a quaisquer grupos que lutassem contra Moscovo.
Através das sanções contra a Rússia, cortar as ligações económicas entre a UE e a Rússia, com consequências muito negativas para a UE. Os EUA passam assim a ser os grandes fornecedores de bens e armamento à Europa. Washington ganha em literalmente tudo e os europeus, conduzidos por políticos serviçais do Império Anglo-Sionista, ficam a ver os navios a passar...
Apenas compreendendo a vileza e violência do ataque que foi organizado contra a Rússia por parte do Ocidente coletivo, é que podemos entender porque é que os russos tomaram as medidas que tomaram na Ucrânia e porque é que Putin está disposto a ir até ao fim com a Operação Militar Especial, custe aquilo que custar. Estou certo de que a guerra em curso ainda irá durar algum tempo, porém, esta irá decorrer até que a Ucrânia seja totalmente desmilitarizada, desnazificada e em última análise, desmantelada para todo o sempre. Isto significa que o Estado Ucraniano com grande probabilidade irá deixar de existir, a Rússia irá absorver as terras que foram suas durante séculos e não haverá mais Zelensky, nem juntas pró-UE em Kiev, nem NATO na Ucrânia.
Recordo que tudo isto, este desfecho que eu sei que para muitos é absolutamente trágico, poderia ter sido todo evitado se o Ocidente em 2021, simplesmente, tivesse aceitado dar aos russos as garantias escritas que os russos então pediram. Agora, infelizmente, será muito pior e podem ter a certeza de que Moscovo não quer mais "negociações" com o Ocidente sobre a Ucrânia. A única "negociação" que a Federação Russa vai ter daqui para a frente com o Ocidente, vai ser para assinar a capitulação total e incondicional da Ucrânia nesta guerra, à semelhança do que aconteceu com a Alemanha Nacional-Socialista em 1945.
O ambiente geopolítico atual é dos mais perigosos das últimas décadas. Se o Ocidente não entender a mensagem com a derrota na Ucrânia que lhe irá ser imposta pela Federação Russa, o próximo passo será ainda mais drástico, poderá envolver diretamente as Forças Armadas da República Popular da China e as consequências são completamente imprevisíveis. Depois não digam que não foram avisados...