quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O Chega e a "invasão" da Rádio Universidade de Coimbra

 
 

Parece que a "invasão" que alguns militantes do Chega, levaram a cabo nas instalações da Associação Académica de Coimbra (AAC), deu direito a uma abertura de um processo por parte da Entidade Reguladora Para a Comunicação Social (ERC) e a queixa no Ministério Público:

«A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) abriu um procedimento para averiguar a entrada de um grupo de elementos do Chega nos estúdios da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), durante uma emissão em direto, na segunda-feira, 12 de outubro. A comitiva era liderada pelas deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro e a emissão foi interrompida depois de Rita Matias ter tentado intervir através de um dos microfones do estúdio.

O episódio ocorreu durante a estreia do programa de debate político «Ampulheta», que reunia representantes das juventudes partidárias com assento parlamentar. A ERC vai analisar os acontecimentos, num caso que levanta questões relacionadas com a liberdade de programação e de informação dos órgãos de comunicação social.

A abertura do procedimento não significa que o regulador tenha concluído pela existência de uma infração. Trata-se de uma fase de averiguação destinada a analisar os factos e a determinar se existe matéria que justifique uma intervenção no âmbito das competências da entidade.

A entrada da comitiva ocorreu num contexto de conflito entre o partido e a Associação Académica de Coimbra (AAC). Em fevereiro, uma assembleia magna da associação aprovou uma deliberação que impede a participação presencial do Chega em eventos da AAC e a entrada de elementos do partido nas suas instalações.

Para permitir a participação no debate, a RUC tinha convidado o Chega a intervir remotamente. O partido recusou o formato proposto, tendo comunicado que não estaria presente na emissão de estreia por incompatibilidade de horários, segundo a rádio.

Na manhã de segunda-feira, Rita Matias e Madalena Cordeiro entraram no estúdio acompanhadas por outros militantes e apoiantes. A emissão prosseguiu inicialmente, mas foi interrompida quando Rita Matias tentou falar a partir do microfone de um representante da Iniciativa Liberal. Segundo a RUC, as deputadas recusaram-se depois a abandonar o estúdio, apesar dos pedidos nesse sentido, e permaneceram no local até à chegada da Polícia de Segurança Pública (PSP), pelas 09h55.

Rita Matias justificou a iniciativa com a oposição do partido ao formato de participação à distância, que considerou não garantir igualdade de circunstâncias no debate. A deputada contestou também a decisão da associação académica de impedir a presença física do Chega nas suas instalações.

A Direção-Geral da AAC anunciou que vai apresentar uma queixa junto do Ministério Público na sequência dos acontecimentos. O presidente da associação, José Machado, classificou o episódio como um «flagrante atentado à liberdade de imprensa» e pediu ao Chega que se retrate publicamente.

O dirigente estudantil defendeu também que o partido deve garantir que não voltará a interferir no funcionamento de órgãos de comunicação social. A associação pretende ainda reforçar a segurança do edifício, sobretudo durante o horário do programa de debate político da RUC, que deverá continuar a ser transmitido semanalmente.

A polémica levou igualmente o Movimento Associativo Estudantil a enviar uma carta a André Ventura, presidente do Chega, questionando se tinha conhecimento prévio da iniciativa e se concordava com a entrada das deputadas nas instalações. O documento, subscrito por associações e federações académicas de várias regiões do país, alerta para a proteção legal da liberdade de programação e de informação dos operadores de rádio.»

Curto e grosso, a AAC e a Rádio Universidade de Coimbra, neste caso em particular, não têm absolutamente razão nenhuma. A AAC é uma associação estudantil autónoma, distinta da Universidade de Coimbra. O seu financiamento é feito em parte com dinheiros públicos e portanto, como tal, é completamente inadmissível que a assembleia magna da AAC, tenha a ousadia de proibir representantes daquele que é o segundo maior partido político em Portugal, de entrar nas suas instalações. O que está aqui em causa é o princípio da igualdade. A AAC não pode querer receber financiamento público através dos impostos dos portugueses que votam no Chega e simultaneamente, proibir o segundo maior partido político de entrar nas suas instalações, só porque não gosta do Chega. A democracia ou é para todos ou não é para nenhum. 

O problema e aquilo que precipitou a acção das deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro em Coimbra, foi o despautério da esquerda política que tomou conta da AAC, que a 25 de Fevereiro deste ano, se arrogou o direito de aprovar em assembleia magna, a proibição por decreto da entrada de representantes do Chega nas instalações da associação e da participação do partido nas suas iniciativas.

Ora, a "coisa" tinha de rebentar e acabou por rebentar mesmo esta semana, no dia 12 de Outubro, quando em mais uma atitude que só demonstra a tendência totalitária da esquerda, em linha com o conceito da "tolerância repressiva" de Herbert Marcuse, a Rádio Universidade de Coimbra convidou vários partidos para estarem presentes num debate em estúdio, porém, no caso do Chega deixaram claro que este só poderia participar por "via digital", devido ao facto de membros do Chega estarem proibidos de entrar fisicamente nas instalações da AAC. Obviamente, escusado será dizer, o Chega não aceitou esta humilhação e bem! 

Quem me conhece e acompanha o que vou escrevendo, sabe que eu não me tenho poupado nas críticas ao Chega, principalmente em matéria de política externa. Já deixei bem claro, por várias vezes, que o Chega não me convence e que me incomodam as ligações e o apoio do Chega ao terrorismo internacional, que é patrocinado por Israel, o movimento sionista e a NATO ao redor de todo o Mundo. Posto isto, tenho também de dizer que não vou ficar em silêncio enquanto assisto ao bullying constante contra o Chega e os seus militantes e à tentativa de censurar, perseguir, intimidar e calar aquele que é hoje o segundo maior partido em Portugal. 

A rapaziada da esquerda foi longe demais e está na hora de começarem a "abrir a pestana" e perceberem que se estão a tornar completamente irrelevantes na sociedade portuguesa, precisamente devido ao seu comportamento pesporrente, digno apenas de crianças mal educadas e com falta de chá. 

A última sondagem da Aximage, coloca até já o Chega em posição de vencedor, se houvessem neste momento eleições legislativas em Portugal e é arrasador para a esquerda: O PS não passaria dos 28%, ficando na melhor das hipóteses em segundo lugar e a esquerda radical toda junta (PCP, BE, Livre), não consegue passar da casa dos 6%. Se juntarem o PAN a este colectivo, poderão chegar aos 8%, mas isto mesmo assim é um resultado absolutamente miserável e merecido, tendo em conta a completa irresponsabilidade e falta de noção, que as forças políticas de esquerda têm demonstrado nos últimos anos. 

De resto, podem todos ter a certeza de que o que se passou esta semana em Coimbra só dá mais força ao Chega. A AAC pode fazer a queixa que quiser ao Ministério Público e a ERC pode também abrir os processos que quiser, que isso não vai alterar a realidade dos factos e o facto é que nas próximas legislativas, tudo leva a crer que o Chega vai ter um resultado histórico e a esquerda, com grande probabilidade, vai ser completamente cilindrada nas urnas. 

A esquerda neomarxista meteu-se a jeito para isto, tendo-se desde há várias décadas deixado infectar pelas teses da Escola de Frankfurt, que são um completo aborto intelectual contra a Civilização e a decência. O Marxismo Cultural, que teve origem verdadeiramente em Gramsci, mas que se expande intelectualmente e atravessa o Atlântico, com a Escola de Frankfurt, é o grande problema da esquerda contemporânea. O Wokismo, as teorias das dezenas de géneros, o conceito delirante de "pessoas racializadas", a constante auto-flagelação nacional a que a esquerda quer submeter as sociedades ocidentais, com um sentimento de culpa repressivo e eterno, em que o "homem branco" é o culpado por todos os males do Mundo, tudo isto está interligado e tem a sua origem em larga medida na Escola de Frankfurt. 

Uma das pessoas que melhor identificou e denunciou o imbróglio em que a esquerda ocidental contemporânea se afundou, foi precisamente o falecido filósofo brasileiro, Olavo de Carvalho, que a 8 de Junho de 2002, publicou este fantástico e muito sábio artigo no jornal O Globo, que versa precisamente sobre as origens e a problemática do Marxismo Cultural:

«Segundo o marxismo clássico, os proletários eram inimigos naturais do capitalismo. Lenine acrescentou a isso a ideia de que o imperialismo era fruto da luta capitalista para a conquista de novos mercados. Conclusão inevitável: os proletários eram também inimigos do imperialismo e se recusariam a servi-lo num conflito imperialista generalizado. Mais apegados a seus interesses de classe que aos de seus patrões imperialistas, fugiriam ao recrutamento ou usariam de suas armas para derrubar o capitalismo em vez de lutar contra seus companheiros proletários das nações vizinhas.

Em 1914, esse silogismo parecia a todos os intelectuais marxistas coisa líquida e certa. Qual não foi sua surpresa, portanto, quando o proletariado aderiu à pregação patriótica, alistando-se em massa e lutando bravamente nos campos de batalha pelos “interesses imperialistas”! (…)

O filósofo húngaro Gyorgy Lukacs (…) chegou à conclusão de que quem estava errado não era a teoria: eram os proletários. Esses idiotas não sabiam enxergar seus “interesses reais” e serviam alegremente a seus inimigos. Estavam doidos. Normal era Gyorgy Lukács. Cabia a este, portanto, a alta missão de descobrir quem havia produzido a insanidade proletária. Hábil detetive, logo descobriu o culpado: era a cultura ocidental. A mistura de profetismo judaico-cristão, direito romano e filosofia grega era uma poção infernal fabricada pelos burgueses para iludir os proletários. Levado ao desespero por tão angustiante descoberta, o filósofo exclamou: “Quem nos salvará da cultura ocidental?”

A resposta não demorou a surgir. Felix Weil (…) fundou o que veio a se chamar “Escola de Frankfurt”: um “think tank” marxista que, abandonando as ilusões de um levante universal dos proletários, passou a dedicar-se ao único empreendimento viável que restava: destruir a cultura ocidental. Na Itália, o fundador do Partido Comunista, António Gramsci, fora levado a conclusão semelhante ao ver o operariado trair o internacionalismo revolucionário, aderindo em massa à variante ultranacionalista de socialismo inventada pelo renegado Benito Mussolini. Na verdade os próprios soviéticos já não acreditavam mais em proletariado: Estaline recomendava que os partidos comunistas ocidentais recrutassem, antes de tudo, milionários, intelectuais e celebridades do “show business”. Desmentido pelos fatos, o marxismo iria à forra por meio da auto-inversão: em vez de transformar a condição social para mudar as mentalidades, iria mudar as mentalidades para transformar a condição social. (…)

Os instrumentos para isso foram logo aparecendo. Gramsci descobriu a “revolução cultural”, que reformaria o “senso comum” da humanidade, levando-a a enxergar no martírio dos santos católicos uma sórdida manobra publicitária capitalista, e faria dos intelectuais, em vez dos proletários, a classe revolucionária eleita. Já os homens de Frankfurt, especialmente Horkheimer, Adorno e Marcuse, tiveram a ideia de misturar Freud e Marx, concluindo que a cultura ocidental era uma doença, que todo mundo educado nela sofria de “personalidade autoritária”, que a população ocidental deveria ser reduzida à condição de paciente de hospício e submetida a uma “psicoterapia colectiva”.

Estava portanto inaugurada, depois do marxismo clássico, do marxismo soviético e do marxismo revisionista de Eduard Bernstein (o primeiro tucano), a quarta modalidade de marxismo: o marxismo cultural. Como não falava em revolução proletária nem pregava abertamente nenhuma truculência, a nova escola foi bem aceita nos meios encarregados de defender a cultura ocidental que ela professava destruir.

Expulsos da Alemanha pela concorrência desleal do nazismo, os frankfurtianos encontraram nos EUA a atmosfera de liberdade ideal para a destruição da sociedade que os acolhera. Empenharam-se então em demonstrar que a democracia para a qual fugiram era igualzinha ao fascismo que os pusera em fuga. Denominaram sua filosofia de “teoria crítica” porque se abstinha de propor qualquer remédio para os males do mundo e buscava apenas destruir: destruir a cultura, destruir a confiança entre as pessoas e os grupos, destruir a fé religiosa, destruir a linguagem, destruir a capacidade lógica, espalhar por toda parte uma atmosfera de suspeita, confusão e ódio. Uma vez atingido esse objectivo, alegavam que a suspeita, a confusão e o ódio eram a prova da maldade do capitalismo.

Da França, a escola recebeu a ajuda inestimável do método “desconstrucionista”, um charlatanismo académico que permite impugnar todos os produtos da inteligência humana como truques maldosos com que os machos brancos oprimem mulheres, negros, gays e tutti quanti, incluindo animais domésticos e plantas. A contribuição local americana foi a invenção da ditadura linguística do “politicamente correto”.

Em poucas décadas, o marxismo cultural tornou-se a influência predominante nas universidades, nos Media, no show business e nos meios editoriais do Ocidente. Seus dogmas macabros, vindo sem o rótulo de “marxismo”, são imbecilmente aceitos como valores culturais supra-ideológicos pelas classes empresariais e eclesiásticas cuja destruição é o seu único e incontornável objetivo. Dificilmente se encontrará hoje um romance, um filme, uma peça de teatro, um livro didáctico onde as crenças do marxismo cultural, no mais das vezes não reconhecidas como tais, não estejam presentes com toda a virulência do seu conteúdo calunioso e perverso.

Tão vasta foi a propagação dessa influência, que por toda parte a Ideia antiga de tolerância já se converteu na “tolerância libertadora” proposta por Marcuse: “Toda a tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita”. Aí, aqueles que vetam e boicotam a difusão de ideias que lhes desagradam não sentem estar praticando censura: acham-se primores de tolerância democrática.

Por meio do marxismo cultural, toda a cultura transformou-se numa máquina de guerra contra si mesma, não sobrando espaço para mais nada.»

3 comentários:

  1. https://x.com/BrunoARFialho/status/2109731437259751652

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  2. Partidos presentes nos Estúdios da RUC optam pelo silenciamento em vez do debate de ideias:
    https://partidochega.pt/index.php/2026/10/12/partidos-presentes-nos-estudios-da-ruc-optam-pelo-silenciamento-em-vez-do-debate-de-ideias/

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  3. Farto de ouvir Doutores da treta:
    https://www.youtube.com/watch?v=yF6n1mhT-tk

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