domingo, 25 de outubro de 2026

Tá quietinho ou levas no focinho...

 
A ironia de tudo isto, é que os manifestantes que se queixam de hoje ter sido violentamente reprimidos pelo Estado, são os mesmos manifestantes, maioritariamente ligados à esquerda, que querem que o Estado tenha mais poderes e capacidade para "intervir".

Não é possível "ter Sol na eira e chuva no nabal"... se vocês querem um Estado, capaz de intervir em tudo e de vos dar «uma vida plena», como acabo de ouvir um manifestante de esquerda dizer na CNN, então depois não chorem, quando esse mesmo Estado decidir carregar em cima de vocês com todo o seu poder arbitrário. 

O resultado do Estatismo é isto e será sempre isto: violência, repressão, tortura, homicídio, censura e perseguição. 

As pessoas, tanto à esquerda, como à direita, que defendem o Estatismo como solução para todos os nossos problemas, pura e simplesmente, não têm noção de que o Estado tem sido sempre do ponto de vista histórico o maior opressor e assassino. Dar mais poderes ao Estado, é literalmente estar a colocar "a raposa a tomar conta do galinheiro". Isto porque o Estado é gerido por pessoas e as pessoas, tal como dita a natureza humana, são moral e eticamente falíveis.

Há uma crença quase "sobrenatural" nas hostes socialistas/marxistas, mas também em muitos nacionalistas e pessoas de direita, sobre as capacidades "mágicas" do Estado para resolver os nossos problemas. Ora, esta gente esquece ou ignora, que precisamente devido ao facto de o ser humano ser moral e eticamente falível, estes Estados poderosíssimos com que deliram, são precisamente a maior ameaça ao nosso bem-estar e à nossa Liberdade, sendo que têm todos a sua origem conceptual na Revolução Francesa de 1789 e no Terror que se lhe seguiu. 

Socialismo, Nazismo, Comunismo e Fascismo, são tudo "farinha do mesmo saco" totalitário. Estas doutrinas revolucionárias, têm todas a mesma génese ideológico-filosófica e partem todas da mesma premissa, ou seja, a de que há um determinismo histórico hegeliano que as impele, que justifica a violência, o terror e a repressão em massa, praticada pelo Estado, de forma a atingir um bem maior, uma utopia futura imaginária. É esta crença num futuro idealizado e históricamente determinado que justifica tudo - na óptica destas doutrinas totalitárias - que gerou os fanatismos tresloucados que descambaram depois em coisas como o holocausto, o terror vermelho e o horror das câmaras de tortura da Stasi na República Democrática Alemã.

Toda a conversa das forças políticas, sejam elas de esquerda ou de direita, que querem mais Estado e que prometem que "vão ser bonzinhas", se as deixarem construir o tal Estado com poderes reforçados e arbitrários, violadores das liberdades individuais, é conversa para enganar tolos. Estas forças se chegarem ao poder, sejam elas de que cor forem, o que vão fazer é instalar-se confortavelmente, criar um aparelho repressivo muito pior do que aquele que existe hoje e de seguida, vão usar esse mesmo aparelho repressivo para se manterem no poder, à semelhança daquilo que qualquer nova elite ou aristocracia faz quando toma conta do aparelho estatal. Tal como disse Pierre Vergniaud em 1793, «a revolução devora os seus próprios filhos»... As pilhas de cadáveres produzidas pelos totalitarismos revolucionários do século XX são a prova disto mesmo. 

Os manifestantes que andam nas ruas a berrar contra o custo de vida e a exigir mais Estado - Estado esse que depois lhes vai dar com o bastão no lombo - deveriam de ter noção de que o principal culpado pela actual crise de habitação em Portugal, é precisamente o Estado português. Foi o Estado que criou este problema quando deixou entrar um milhão e meio de estrangeiros no País, quadruplicando a população imigrante em Portugal em apenas sete anos. Foi o Estado que criou o problema com os Planos Directores Municipais (PDM's) completamente ridículos e toda a burocracia e legislação, que sufoca a construção civil em Portugal. É o Estado que depois agrava o problema com a pesadíssima carga fiscal e todas as taxas e taxinhas, com que somos diariamente esmifrados. O Estado e a nova aristocracia que se instalou no seio do mesmo, após a Abrilada de 74, são os principais responsáveis por todo o atraso e o ciclo de empobrecimento crónico, em que Portugal está preso há décadas. 

Portugal nunca se vai desenvolver a sério, enquanto continuar agrilhoado à mentalidade Estatista e continuarmos a ter como "alternativa" política ao sistema, partidos políticos cuja única coisa que propõem em linhas gerais, é a repetição da asneira que tem sido praticada ao longo dos últimos 52 anos, ou seja, mais Estado, mais Estado e ainda mais Estado. Assim de repente, veio-me à cabeça este famoso clássico de 1982:
 
 

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